8 de junho de 2012

não é que eu tivesse medo de monstros; é que o grande monstro da minha infância foi o próprio medo em si. era esse o meu fantasma, o bicho papão que a qualquer momento poderia aparecer a me puxar os pés no meio de uma noite qualquer e contra o qual eu acreditava terminantemente não ser capaz de lutar. o medo entrou em  minha vida muito cedo, por tabela, travestido de patologia e carregado de consequências devastadoras. e eu vivia assustada, com receio de que esse bicho viesse me bater à porta um dia qualquer para fazer o mesmo tipo de estrago que o vi fazer à vida da minha irmã. hoje percebo que absorvi muito o peso das dores de outro alguém e o quanto esse medo do medo condicionou quase todas as minhas escolhas até aqui. passei a vida pressupondo dificuldades que eu talvez nem tivesse, a tentar me proteger de batalhas que ainda nem eram minhas. perceber esse tipo de coisa ressignifica uma porção importante da minha história.

Um comentário:

  1. Viver, nesse caso, é reescrever a própria história com garra e determinação, sabendo que os nossos fantasmas irão nos acompanhar sempre, mas somos mais fortes que eles...

    Conhecer o inimigo é metade do caminho andado para vencê-lo. Bjs

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