21 de abril de 2015

é tão delicado conseguir dosar verdade e cuidado...

mas querer não basta: é preciso, no mínimo, querer junto. de modos compatíveis. e em proporções mutuamente aceitas. dizendo assim até parece fórmula, mas nem. antes fosse. em meio a prescrições e suposições continuamos, perdidos e exaustos, ensaiando os passos de um balé de afetos desencontrados. 

12 de abril de 2015

e então eu falei do cansaço. do quanto, por mais que me mantenha em movimento, eu continuo me sentindo afundar aos pouquinhos. falei do chão que insiste em ceder, do ar cada vez mais escasso e dessa urgência louca que eu às vezes sinto de me resgatar dentro de mim. contei também do meu receio de no fim das contas não saber dar conta. de como a vida me intimida, me fascina e amedronta. da dificuldade que eu tenho para achar respostas e desse medo enorme de que mais à frente, após tanto caminhar, não haja mais pra onde voltar.

ele não me disse nada. 

10 de abril de 2015

demorei tanto a entender que o caminho passa, necessariamente, por assumir meus desejos... sem esse primeiro reconhecimento, afinal, qualquer passo é um tiro no escuro. e chegar (ou não) bem pouco importa. 

as pessoas perderam o tato? ou nunca tiveram? as coisas não precisam ser graves pra serem levadas a sério.


7 de abril de 2015

eu finjo, sim, que é muito leve e que bem pouco importa. mas na verdade, querido, assim como o moço da tabacaria, o que desejo é que escancarem-me a porta aos pés de uma parede sem porta. ando mesmo ansiando pôr abaixo um desses muros que insistem em me encarcerar aos limites de mim. só não sei ao certo qual deles me sustenta. 

6 de abril de 2015

se pudesse esboçar um prefácio à hipotética estória de nós, diria apenas: que seja.