20 de setembro de 2013


Os "olhos" com que "revejo"
já não são os "olhos" com que "vi".
 Ninguém fala do que passou 
a não ser na e da perspectiva 
do que está passando. 

Paulo Freire | Cartas a Cristina


e eu, que nem sou de esperar, me pego aguardando o momento em que você, por mais discreto que seja, fará uma entrada triunfal em minha vida. e eu, que nunca fui lá de romantizar muito as coisas, me pego imaginando como você vai estar da próxima vez que a gente se encontrar. e eu, que tenho o sono super pesado, vez ou outra acordo em sobressalto após tecer um par de sonhos contigo. 

e já faz tanto tempo desde que nos despedimos da última vez... tempo bastante pra desaprender o que se deve dizer quando estamos um de frente pro outro, ou o que fazer pra não te assustar com meu excesso fake de liberdade. tempo suficiente pra esquecer como é mesmo que faz pra não acabar guardando você tão fundo em meu bolso a ponto de te sufocar.  

e eu, que sei ser sozinha sem grandes dramas, me pego sempre à espreita, procurando seu olhar no meio das multidões mais improváveis. e por mais que o normal seja mesmo não te encontrar nunca, sempre acabo voltando pra casa meio murcha, incompleta, sentindo um troço esquisito no peito que não chega a ser dor, mas incomoda que só...  


* releituras. 

Um comentário:

  1. Tanto tempo sem passar aqui, e ainda me encontro em cada palavra da sua prosa poética, da sua poesia. Mato a saudade dessa beleza da sua escrita, mas percebi (pelas coisas que me tocam aqui) que a minha saudade de antes sobrevive, e também incomoda que só

    Abraços

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