25 de janeiro de 2012

antes de ir embora ele me fez pensar algumas coisas bem pequenas acerca de mim. a partir de então corri a me trancar fora do mundo, dando especial desatenção àqueles que mais amava. era puro medo, sabe? medo de que essas outras pessoas importantes que me restavam, de repente, se dessem conta das minhas incompletudes e também desistissem de mim, bem no meio do caminho.  

18 de janeiro de 2012

passa, eu sei. e sei também que é reconfortante quando a gente mantém a perspectiva de que apesar de tudo, passa. porque passa mesmo. mas para além do conforto, confesso que acho isso tudo bem chato. chato que depois de tanta dor nada tenha se resolvido e, mesmo assim, passe. chato que o fato da tristeza diminuir não me faça definitivamente feliz. chato perceber que muito amor não basta para que não passe. chato, mas chato mesmo, é quando no fim do dia eu tenho que lidar com essa hipótese angustiante de que nada talvez seja tão especial a ponto de não passar nunca.

17 de janeiro de 2012

passei muito tempo com as emoções desabrigadas. é que o meu amor precisava de espaço e o lugar que encontrei no coração dele tinha o teto bem baixinho.

16 de janeiro de 2012

é na desconversa sem peso das rodas de amigos que a gente se recicla em memórias mais doces.

12 de janeiro de 2012

acho que comecei a entender um pouco esse velho nó escondido cá no canto esquerdo da alma. hoje eu até senti como se ele desse uma leve afrouxada, sabe como é? assim, como se a tensão cedesse um tantinho - desses que não chegam a aliviar, mas permitem que a gente respire mais fundo e até perceba cheiros novos que agradam.

10 de janeiro de 2012

de repente ressurjo em vontades que não tenho com quem dividir. aí invento. mesmo que não seja ideal; mesmo que não seja como antes; mesmo que, no fundo, nem chegue realmente a ser.

é feliz ver brotar dos escombros de meus vazios relances da menina dos sorrisos sem culpa, que nunca soube desenhar ou pintar mas colecionava lápis de cor.

carrego esse desejo encabulado de que um próximo alguém me chegue com traquejos de verbo, sabendo amar sem economia de palavras.

9 de janeiro de 2012

A gente precisa viver para descansar dos sonhos.

Mia Couto

6 de janeiro de 2012

fotos: acervo pessoal
 
foi numa viagem entre amigos - dessas que se impõem, mesmo, de fora pra dentro - que a vida largou o pudor de lado e explodiu em cores, arteira, zombando do meu descompasso. achei tanta graça da brincadeira, que acabei rindo junto, solta, como havia tempos não tinha humores de fazer.


5 de janeiro de 2012

de repente ele aparece com aquela polidez em brasa, a pedir umas desculpas que eu nem sei se deve, e tudo aquilo me desperta uma vontade louca de que nossa história pudesse simplesmente desacontecer, num piscar de olhos, pra que eu nunca mais precisasse revisitar esse vazio que ainda me magoa tanto.