28 de maio de 2013

subverteu endereços
esquivou-se dos cercos
e foi viver de amplidões

23 de maio de 2013


21 de maio de 2013

essa dança, essa trança, esse nó, essa lança; essa loucura mansa, fissura, mistura, fartura de apelos, suspiros, promessas, vontades, segredos, surdinas, desejos. essa frágil intimidade de corpos que se querem juntos mas se retorcem em medo do amanhã e seus enredos de destino incalculável. esse bolo, esse rolo, estranho alvoroço de tantos quereres, com colos, vontades, sonhos, dizeres. planos e mãos e pés e corpos e almas e tudo aquilo que de repente, num minuto qualquer desse tempo presente, se mistura num emaranhado bom de vida a dois (em um). e o que era dessas duas "gentes", individualmente, passa a ser um só a gente. felizmente.

20 de maio de 2013

me puxou pra bem perto e disse
que eu tinha ar de distância.
nunca mais arredei pé.

às vezes
inventar você é tão bom,
que eu tenho medo de te encontrar.

15 de maio de 2013

ontem eu vi um filme lindo e triste que me fez sentir tão extensão de você... me deparei com coisas que já nem lembrava haver sentido, naquele tempo distante em que o mundo ainda era gigante e eu bem pequenininha. pensei na quantidade de vezes em que furtei teus baús de memórias para incorporá-las à minha própria história, costurando minha vida a partir dos pedacinhos que conseguia entender daquele teu ser desencantado e frágil. lembrei das infinitas noites em que fingi que dormia, só pra você se sentir à vontade e chorar o tanto que precisasse. rememorei meu medo de que sua dor não passasse nunca, minha impotência infantil fazendo companhia inútil a um desespero só seu, mas que também me sufocava aos poucos. pensei no tanto de mim que vem de ti, no tanto teu que veio dela e em como a tecitura da mais singular história de gente é feita, sempre, dessa sobreposição de vivências e tempos, que mesmo quando não se cruzam arranjam um jeito de se tocar.    






um dia eu li, e era seu convite de casamento, que "as histórias não começam, elas simplesmente continuam". nunca pareceu tão verdade.

13 de maio de 2013

fugindo da aridez de outros destinos, fiz morada em coração lixiviado;
tanto chovia, todos os dias, à mesma hora, que meu amor não conseguiu ser semeado.

8 de maio de 2013

não conseguia entender suas ávidas mansidões, tampouco lidar com seus contrastes sem cor. tudo em você me confundia pra menos.
nesse vão aqui de dentro
em meu mais íntimo recanto
tem um bando de tranqueiras
espalhadas pelos cantos
muitas vezes, eu confesso,
ainda mais se está escuro,
chuto quinas e tropeço,
quando não derrubo tudo.


7 de maio de 2013

que ando querendo da vida é só mais vida, mesmo. mas quero coisa inteira, doida, afoita, que se desenrola daqui pra fora, esganiça, explode e desatina o juízo da gente de tanto acontecer. quero a vida cheia de lida, daquela que idealiza e realiza sem resfolegar. ando assim mei brotando, mei torta, mei palavra às pressas que não se completa, com o juízo chamuscado de ideias pra socar pra fora me roçando bem aqui na nuca da alma.

5 de maio de 2013

alguns silêncios querem mesmo não dizer.
em caso assim, delicadeza é não pedir explicação.

4 de maio de 2013

espaçados passos na estrada; não há de ser nada. nada mais que um coração fadado a caçar atalho pras lonjuras de um amor sem norte. segue essa marcha sem cura, paciente e segura, em resignada aceitação da lentidão da sorte.

3 de maio de 2013

coroou-me rainha
de seu castelo de pau a pique.

empenhei-me na tecitura de uma manhã em sol a ver se enfeitava tanta vida em preto e branco.