1 de novembro de 2013

houve um tempo em que amor não era palavra de luxo. bem lembro. eu mesma, já tive três pra a vida inteira. não tenho mais.

24 de setembro de 2013

- você quer demais.
- eu quero outra coisa.

Era ainda manhã quando dei de cara, ao completo acaso, com o título: Prelúdios-intensos para os desmemoriados do amor. Perambulei fora de mim por alguns minutos e voltei um tanto melancólica. 

23 de setembro de 2013

aí chega um dia em que a gente sente que já deu. assim, simples: bateu no teto. e nem doeu.

20 de setembro de 2013


Os "olhos" com que "revejo"
já não são os "olhos" com que "vi".
 Ninguém fala do que passou 
a não ser na e da perspectiva 
do que está passando. 

Paulo Freire | Cartas a Cristina


e eu, que nem sou de esperar, me pego aguardando o momento em que você, por mais discreto que seja, fará uma entrada triunfal em minha vida. e eu, que nunca fui lá de romantizar muito as coisas, me pego imaginando como você vai estar da próxima vez que a gente se encontrar. e eu, que tenho o sono super pesado, vez ou outra acordo em sobressalto após tecer um par de sonhos contigo. 

e já faz tanto tempo desde que nos despedimos da última vez... tempo bastante pra desaprender o que se deve dizer quando estamos um de frente pro outro, ou o que fazer pra não te assustar com meu excesso fake de liberdade. tempo suficiente pra esquecer como é mesmo que faz pra não acabar guardando você tão fundo em meu bolso a ponto de te sufocar.  

e eu, que sei ser sozinha sem grandes dramas, me pego sempre à espreita, procurando seu olhar no meio das multidões mais improváveis. e por mais que o normal seja mesmo não te encontrar nunca, sempre acabo voltando pra casa meio murcha, incompleta, sentindo um troço esquisito no peito que não chega a ser dor, mas incomoda que só...  


* releituras. 
- eu não queria virar gente grande nunca, tia. 
- hein? 
- é... eu queria ser criança pro resto da vida. 
- mas por quê? 
- quando as pessoas ficam adultas e levam os filhos no parque, elas nem podem entrar nos brinquedos! deve ser chato. 
- ♥
foto: acervo pessoal

5 de agosto de 2013

morro de medo
dessa gente que vem a passeio e faz morada em meu peito.

29 de julho de 2013

logo depois que a gente dói um tanto, o coração quer calma. e é bom. mas aí chega um tempo em que alegrias miúdas arranjam um jeito de povoar nossos vazios e começam a semear felicidadezinhas um pouco maiores, pichando palavras doces em nossos recantos mais esquecidos. aí é melhor ainda. 

25 de julho de 2013

será que um dia a gente aprende a arte de perder tantas metades
e se erguer por inteiro?

24 de julho de 2013

cheia de novos prazos, novas metas, novos medos, lembrando do dia em que a vida me rasgou pelo peito e arrancou pelas unhas a última dose que restava de serenidade. pois que ontem eu me flagrei espalhando conselhos que nem sei se acredito. revivi a velha vontade de embalar em meu colo as angústias de um (novo) outro querido, repetindo aquele desejo louco de tecer soluções que talvez não existam para problemas que eu talvez não entenda. e tudo isso, agora, me lembra tanto tudo aquilo  de outrora, que quase sinto aqui no peito o velho rombo se esgarçando um pouco mais.

dias assim me fazem suspeitar que algumas dores nunca param de acontecer dentro da gente...

22 de julho de 2013

tanto sentindo
com todos os sentidos
que pouco importa
não fazermos sentido algum.

17 de julho de 2013

tem coisa que tem medida, tem coisa que não.
pra que dosar amor se a gente sempre erra na mão?

15 de julho de 2013

todo aquele passado, assim mal passado, me embrulha o estômago. de agora em diante só me alimento de histórias servidas ao ponto.

3 de julho de 2013

não precisa ser grave. não precisa ser grande. não precisa ser muito. não precisa nem ser. juro. pode ser que ali na esquina esse quase-nada se desfaça, se retraia ou se distraia e seja como se nunca nem houvesse sido. pode ser que o quase nada logo ali adiante torne-se um nada inteiro. nadinha. e que da noite pro dia a gente já nem se lembre de coisa alguma. mas pode ser que não. pode ser que depois da esquina ainda reste algo. duas solidões que se façam companhia, coisa pouca que seja. mas que seja. e que isso baste pra que a gente nunca esqueça.

das gentilezas que o tempo faz: se grandes dores ele carrega, novos quereres também nos traz.

e mesmo que os velhos vazios ainda sigam inteiros, um novo par de completudes parece fincar morada cá nesse peito carregado de contradições.


28 de junho de 2013

pois pós tu,
sem que houvesse mais nós,
conheci outro eu.

19 de junho de 2013

#vemprarua

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Mesmo que não possamos adivinhar o tempo que virá, temos ao menos o direito de imaginar o que queremos que seja.

Galeano | Delirar em voz alta


* Imagens da (linda) manifestação do dia 17 de junho em Salvador | Bahia.

12 de junho de 2013

não sei fingir que viver é simples
e sempre me embaralho toda entre meus próprios passos nesse espaço que inventamos para encenar tudo aquilo que gostaríamos de ser.

6 de junho de 2013

houve um momento em que, pensando desatarmos nós,
desatamo-nos.

28 de maio de 2013

subverteu endereços
esquivou-se dos cercos
e foi viver de amplidões

23 de maio de 2013


21 de maio de 2013

essa dança, essa trança, esse nó, essa lança; essa loucura mansa, fissura, mistura, fartura de apelos, suspiros, promessas, vontades, segredos, surdinas, desejos. essa frágil intimidade de corpos que se querem juntos mas se retorcem em medo do amanhã e seus enredos de destino incalculável. esse bolo, esse rolo, estranho alvoroço de tantos quereres, com colos, vontades, sonhos, dizeres. planos e mãos e pés e corpos e almas e tudo aquilo que de repente, num minuto qualquer desse tempo presente, se mistura num emaranhado bom de vida a dois (em um). e o que era dessas duas "gentes", individualmente, passa a ser um só a gente. felizmente.

20 de maio de 2013

me puxou pra bem perto e disse
que eu tinha ar de distância.
nunca mais arredei pé.

às vezes
inventar você é tão bom,
que eu tenho medo de te encontrar.

15 de maio de 2013

ontem eu vi um filme lindo e triste que me fez sentir tão extensão de você... me deparei com coisas que já nem lembrava haver sentido, naquele tempo distante em que o mundo ainda era gigante e eu bem pequenininha. pensei na quantidade de vezes em que furtei teus baús de memórias para incorporá-las à minha própria história, costurando minha vida a partir dos pedacinhos que conseguia entender daquele teu ser desencantado e frágil. lembrei das infinitas noites em que fingi que dormia, só pra você se sentir à vontade e chorar o tanto que precisasse. rememorei meu medo de que sua dor não passasse nunca, minha impotência infantil fazendo companhia inútil a um desespero só seu, mas que também me sufocava aos poucos. pensei no tanto de mim que vem de ti, no tanto teu que veio dela e em como a tecitura da mais singular história de gente é feita, sempre, dessa sobreposição de vivências e tempos, que mesmo quando não se cruzam arranjam um jeito de se tocar.    






um dia eu li, e era seu convite de casamento, que "as histórias não começam, elas simplesmente continuam". nunca pareceu tão verdade.

13 de maio de 2013

fugindo da aridez de outros destinos, fiz morada em coração lixiviado;
tanto chovia, todos os dias, à mesma hora, que meu amor não conseguiu ser semeado.

8 de maio de 2013

não conseguia entender suas ávidas mansidões, tampouco lidar com seus contrastes sem cor. tudo em você me confundia pra menos.
nesse vão aqui de dentro
em meu mais íntimo recanto
tem um bando de tranqueiras
espalhadas pelos cantos
muitas vezes, eu confesso,
ainda mais se está escuro,
chuto quinas e tropeço,
quando não derrubo tudo.


7 de maio de 2013

que ando querendo da vida é só mais vida, mesmo. mas quero coisa inteira, doida, afoita, que se desenrola daqui pra fora, esganiça, explode e desatina o juízo da gente de tanto acontecer. quero a vida cheia de lida, daquela que idealiza e realiza sem resfolegar. ando assim mei brotando, mei torta, mei palavra às pressas que não se completa, com o juízo chamuscado de ideias pra socar pra fora me roçando bem aqui na nuca da alma.

5 de maio de 2013

alguns silêncios querem mesmo não dizer.
em caso assim, delicadeza é não pedir explicação.

4 de maio de 2013

espaçados passos na estrada; não há de ser nada. nada mais que um coração fadado a caçar atalho pras lonjuras de um amor sem norte. segue essa marcha sem cura, paciente e segura, em resignada aceitação da lentidão da sorte.

3 de maio de 2013

coroou-me rainha
de seu castelo de pau a pique.

empenhei-me na tecitura de uma manhã em sol a ver se enfeitava tanta vida em preto e branco.

28 de abril de 2013

reconheceram-se em desatino, desentendidos se aquilo que partilhavam era o normal em meio à loucura, ou a dose precisa de loucura em meio a tanta normalidade. com peito aberto e riso solto, bateu vontade de fazer parte do outro. sem prefácios. e aquilo que se construiu a partir de então foi um bem querer meio-são-meio-não, cumpridor das mais belas pequenas alegrias. 

26 de abril de 2013


aos finais, o que doía mais não era nem reaprender a viver sem o outro,
mas conseguir conviver com o que restou de si.

19 de abril de 2013

Quinta-feira, 1o de setembro de 2005.

Negona, um beijão. Acabei de conhecer sua mensagem, produzida numa madrugada particularmente cheia de dúvidas, incertezas e questionamentos. As madrugadas seguramente foram projetadas para somatizar nossos anseios, perspectivas, medos, esperanças. A vida gradativamente vai nos temperando e através de uma madrugada insone vai nos preparando para muitas outras madrugdas que certamente nos permitirão melhor balizar nossa caminhada. E elas, tenha certeza, serão mais frequentes do que desejaríamos.

Lembre-se de que tudo começa com o primeiro passo. E você ja deu muitos passos, graças a Deus. A prudência, o medo, a vontade de seguir em frente, a auto-confiança, tudo mesclado devidamente, se constitui na receita do equilíbrio desejado. Seria de se estranhar que sua experiência de um ano longe de casa - bastante longe, por sinal -, sem nenhuma companhia para as horas de menos coragem, pudesse ocorrer sem eventuais acidentes de percurso. Como as coisas, maioria das vezes, acontecem no seu devido tempo, eu (data vênia) recomendaria:

1- Que você conclua e realize com sucesso tão somente as metas/tarefas fins programadas para a viagem.
2- Não procure levantar todos os questionamentos e dúvidas sobre o seu futuro profissional, num momento seguramente inadequado. Seria como comprar briga com um monte de gente simultaneamente, fora de tempo e lugar.
3- Programe uma atividade turística, orce as despesas, viabilize seu tempo.
4- Lembre-se que ao fim do seu tempo londrino estará encerrada tão somente esta etapa. Outras seguramente rolarão mais para a frente. As amizades a gente realiza, estabelece, sequencia ou deixa de "stand by" com vistas no futuro. Tudo sem traumas nem grilos.
5- Se por aí o tempo está feio (e deverá ficar horrível), aproveite para curtir o frio e a neve. Lembre-se que alguns viajam e gastam muito, só para curtir isso. No mínimo, servirá de consolo.
6- E mais: quando do seu retorno o sol estará aceso, Lucas estará andando, estaremos morrendo de saudades e seguramente as pendências profissionais estarão melhor definidas em sua cabeça. As flores não fotografadas nesta estação estarão disponíveis na próxima. Outras.

Saudade. Seu Pai*.
* meu pai é lindo.

17 de abril de 2013

por mais que eu caminhe,
há distâncias que não se instalam em meu peito.

11 de abril de 2013

tem pó
no tempo.
dó, não tem não.

8 de abril de 2013

meu gostar preguiçoso
perdeu-se dos passos
do seu amor ligeirinho.

olhou para trás e me disse: "não guenta, não brinca"!
mas afinal, quem desiste? o que foge ou o que fica?

6 de abril de 2013

de uns tantos
e tortos quereres


gente que te quero bicho
pompa que te quero lixo
água que te quero visgo
selva que te quero abrigo

unha que te quero garra
guerra que te quero farra
riso que te quero marra
grito que te quero arma

pele que te quero pluma
beira que te quero funda
seta que te quero torta
ida que te quero volta

fala que te quero escuta
santa que te quero puta
força que te quero bruta
reta que te quero curva

grito que te quero mudo
espada que te quero escudo
claro que te quero turvo
nada que te quero tudo.

2 de abril de 2013

(mais do mesmo)

faz de conta que tá pronta,
mas depois desmonta.

ontem, ao me faltar o sono, aproveitei pra pôr o papo em dia contigo. me aprumei na cama, sentadinha, toda enfeitada de escuridão, a calcular o tempo que fazia desde a última vez em que nos encontramos, mesmo assim em pensamento. pra mais de ano. dialogamos um cacho de velharias já sem sentido e elas insistiram em doer mais uma vez. e como nunca se sabe quando será a última, mandei o orgulho pras cucuias e chorei todas as sombras de uma saudade que nem ouso mais sentir.

27 de março de 2013

traquinagem de são pedro:
em pleno dia de sol, fez chover no meu peito.

24 de março de 2013

não entendia que tudo o que eu queria era ser lida de revés, pelo outro tanto quanto nunca seria dito. tampouco percebeu como a gente se perdeu na demasia das próprias palavras.

20 de março de 2013

coisa triste nessa vida é que cada tchau que a gente dá parece a continuação de um velho adeus que nunca acaba de acontecer. e a despedida é tão do outro que se vai, quanto de uma porção da gente que nunca mais voltará a ser. 

13 de março de 2013

conheci uma senhora com olhos de partida.
ela nem parecia triste.
eu, talvez...

12 de março de 2013

ontem sonhei contigo. foi assim: a gente se encontrava e você notava um novo cheiro em mim.

a bem da verdade, ontem sonhei sem rima. ao acordar, joguei o velho vidro de perfume fora.

5 de março de 2013


tem dias em que tudo o que eu queria
era existir assim:

rouca,
louca,
solta,

sem nenhuma gravidade
- ou pouca.

nem bem o verão acaba de me acontecer
e já bate uma preguiça doida de catar as fantasias espalhadas pelo chão...

4 de fevereiro de 2013

fazia algum tempo que eu não deixava o verão acontecer em mim.
o que incomoda, mesmo, é termos sido sempre tão covardes a ponto de tornarmo-nos indiferentes. tivéssemos um tantinho mais de peito, desconfio que algo bonito haveria de restar.

24 de janeiro de 2013

resolvi me desfazer de todas as coleções inúteis: de coisas, pessoas, palavras e sentimentos. não me parece justo deixar que continuem a perecer sob essa boba lógica de um peito que insiste em acumular. 

20 de janeiro de 2013

tem vez
que tem gente
que quase convence a gente
de que a vida tem solução.
a gente aceita, até que respeita
e quase acredita,
só que não.

19 de janeiro de 2013

conheci um lugar onde as casas não têm teto, mas são cheias de muros.
também já vi pessoas assim; desérticas.                            

valle de la luna, deserto do atacama. acervo pessoal

14 de janeiro de 2013

de quando em vez, exercitar a sozinhez faz bem pras vistas.