30 de maio de 2012

algumas escolhas inconsistentes deixam exposta uma certa incoerência em minha vida. são batalhas que travo diariamente contra um lado meu que é, sem notar, algo que nem quer. fuçar os porquês  disso tudo explica, mas não simplifica. esclarece, mas não abranda. aponta caminhos, mas não facilita a travessia. e entre esse ser condicionado por hábitos e ignorâncias e uma melhor versão de mim mesma, é que eu existo; ponte de mim para mim, através de mim. mas... e se um dia eu chego: é o fim? ou o começo?

sartre que me perdoe, mas concordo mais com os que dizem que o inferno somos nós.

28 de maio de 2012


então aquela mania de enfrentar minhas insatisfações e jogar tudo pro alto sempre que algo não me bastava não tinha nada a ver com coragem? quer dizer que não passava de covardia?


"Letting go is the easy part. It´s the moving on that´s painful."

23 de maio de 2012

o presente não deve ter esse nome à toa...

20 de maio de 2012

há que se ter uma certa cautela:
beleza demais também dói!



  gil e a orquestra sinfônica da bahia
fizeram uma bagunça deliciosa em meu peito...
 

15 de maio de 2012

não é que eu tenha mudado esse tanto todo. é que apurei os gostos, entendi os medos e comecei a dar nome aos cantinhos mais relegados da minha existência. e se alguns dizem que ando meio diferente, é porque ainda não entenderam que agora enfim começo a parecer comigo mesma.

10 de maio de 2012

tem dias em que a gente acorda com uma disposição atípica para domesticar os próprios dragões e se livrar dos pesos mortos que andam ocupando nossos lugares mais sagrados. e apesar de difíceis, trabalhosos e doloridos, de um jeito meio estranho esses até que são dias bem felizes


"Sentimento que não espairo; pois eu mesmo nem acerto com o mote disso — o que queria e o que não queria, estória sem final. O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! Só assim de repente, na horinha em que se quer, de propósito — por coragem. Será? Era o que eu às vezes achava. Ao clarear do dia.” 

(Guimarães Rosa, trecho de Grande Sertão: Veredas) 

9 de maio de 2012


eu tinha tudo aquilo para te falar antes de.
pois podia ser que a gente nunca mais chegasse a.
e eu queria muito, a qualquer custo, deixar claro que.
para que enfim eu me sentisse pronta para.


parece que ela enfim cansou de reeditar essa história mal acabada e desistiu daquela busca triste por um final mais feliz. dizem até que anda por aí de flerte com a vida, colhendo novas inspirações para a próxima trama.


8 de maio de 2012


ela tinha medo. medo de que livrar-se dos sentimentos ruins pudesse deixá-la novamente exposta a um carinho sem guarida. foi por isso que mergulhou exageradamente nas mágoas que trazia no peito, a tentar sufocar de vez qualquer importância descabida que ainda insistisse em resistir a todo aquele tempo e distância. mas aquele revestimento de sensações truncadas não assentava-lhe bem. pesava-lhe a alma, corrompia memórias e povoava com pensamentos amargos aquilo que deveria ser sua porção mais doce.

foi quando a vida enfim pediu passagem, que ela entendeu a urgência em esvaziar aquele peito abarrotado de inutilidades e percebeu que os riscos já não eram mais os mesmos. nem ela. hoje anda por aí, ainda um pouco desorientada, tentando abrir novos caminhos e descobrir os passos para semear amanhãs mais leves.  


3 de maio de 2012

desentocou um vinho bom, guardado há tempos para o belo dia em que. mas podia ser que o belo dia demorasse muito, não chegasse nunca ou fosse justo aquele. e assim, já sem paciência para esperas bobas e apostas vazias, decidiu que tinha muita sede e isso bastava. despiu-se dos cuidados inúteis e decretou: vai ser hoje. sempre é. mesmo que. e apesar de.

2 de maio de 2012

buscou tanto um alguém sem teto que perdeu a chance de viver um amor com borda infinita.
putz, enganei mais um. ou me enganei mais uma vez. ou nenhum dos dois. pode ser que no fundo tudo faça parte de um jogo meio cínico de fingir que convenço um alguém que finge que acredita. e no fim das contas não tem mesmo como dar muito errado, já que ninguém espera muita coisa e não fizemos nenhum tipo de promessa.

mas talvez tenha esquecido de te dizer umas coisas bem importantes: que quase nunca uso esses saltos, por exemplo. tampouco essas unhas vermelhas. que o que me fez voltar, na verdade, foi a sua esquisitice, mas ela me lembrou tanto um outro alguém, que precisei me afastar de novo. esqueci de dizer, afinal, que não estou disposta. definitivamente. é que doeu demais da última vez e eu ainda preciso remendar alguns cacos do meu ser quebrado, antes de me permitir arriscar outra vez. e outra. e quantas mais forem necessárias. um dia - mas não hoje. definitivamente.