29 de fevereiro de 2012

ele tinha uma espécie de tristeza que eu não alcançava e em relação à qual, por mais que tentasse, não conseguia oferecer refúgio algum. por muito tempo receei, quase desejosa, ser engolida para o centro daquele turbilhão de gravidades. é que toda aquela seriedade, na penúmbra de tempos tão incertos, até ganhava ares de grande importância.

incrível o quanto de mim mesma precisei desbravar para concluir que, sinceramente, nada daquilo é o que eu quero para mim. foi assim que percebi que em momentos turvos, distância é remédio bom para pôr pingos nos i´s. e só depois de dar essa volta enorme, revisitando os escombros de minhas principais frustrações e sucessos, me sinto absolutamente pronta para, finalmente, virar essa página em minha vida.

esse não-querer novo tem me deixado um tanto mais leve; há meses, isso era tudo o que eu queria. hoje, não passa de uma importante conquista entre muitos outros anseios.

27 de fevereiro de 2012

afinal eu entendi que aquilo tudo passava longe de ser tudo
e assumi que, em essência, não passo mesmo de uma otimista incorrigível.

8 de fevereiro de 2012

quando cheguei lá, tão perto dele, percebi que ainda estávamos a léguas de distância. pretendia com aquilo, talvez, aprender a domar meus fantasmas - mas eles sequer apareceram pra mim. foi então que, surpreendentemente, vivi dias absolutamente meus numa terra que é dele. e voltei pra casa em completo silêncio, não sei ao certo se por coragem ou pura covardia.

6 de fevereiro de 2012

foto: acervo pessoal
 
minha bahia anda ao deus-dará...

e à parte discussões sobre a legitimidade da greve da polícia, ou sobre a postura do poder público em relação a tudo isso, o que realmente me assusta é ver assim, de forma tão nítida, a dimensão da crise moral e ética que vivemos em sociedade, absolutamente incapazes de um mínimo de organização e civilidade.

não é a fome, a miséria, ou a necessidade que tem movido as ondas de violência por todo o estado - é a falta de educação, o oportunismo e um completo esvaziamento de valores, típicos de nossos tristes tempos modernos.

triste...

"Haverá pior solidão do que a ausência de si?"

a peça acabou, fomos embora e essa frase continuou ecoando em meus vazios.

até concordei que não era nada assim tão novo aquele questionamento da moralidade e das vicissitudes tradicionais. mas é que quando posto de uma forma assim tão (literalmente) nua, a gente se constrange, como que flagrados numa estúpida batalha por sufocar nossa própria humanidade.

5 de fevereiro de 2012

"(...) Só no parapeito da morte o pai sente-se pronto para dar um lugar para o horror. Pela memória do único texto que precisa interpretar, o pai finalmente pode deixar de atuar. O pai então escreve o diário – e transforma o monstro que o come por dentro em palavra escrita. Mas, para que sua sobrevivência ao Holocausto tenha sido não uma morte, mas uma vida, ele precisa endereçar essa memória. Pois a carta que não chega ao seu destino para ser lida pelo outro não é uma carta, mas um esquecimento sem lembrança. "


hoje eu topei com essa resenha da colunista eliane brum sobre um belo documentário israelense. confesso que esse trecho mexeu um pouco com as minhas vontades, fazendo cócegas em toda essa certeza de afastamento com a qual me vesti desde que precisei parar de doer. admito que ando um pouco cansada de tantos diálogos imaginários e cartas desendereçadas. é que faz bem mais sentido quando a gente encontra um destinatário...