27 de novembro de 2011

agora entendo que qualquer distância é vã quando a gente carrega um pouco do outro dentro de nós. 

rabiscado anos atrás, ao tentar dar nome a essa grande dor - que apesar de outra, renasce sempre a mesma.



dá trabalho existir num tempo tão carente de verdades.
Não pensem que a vida tem sentido: a vida não tem sentido. Mas o fato da vida não ter sentido não quer dizer que não possamos inventar milhões de sentidos para ela. (...) Precisamos desconstruir para ser mais livres.


Existe um certo discurso sobre a pós-modernidade que ecoa com estrondo em meus vazios, provocando essa ânsia por (finalmente) ser capaz de categorizar algumas de minhas angústias.

24 de novembro de 2011

Como é mesmo que faz pra se curar de sensibilidades? Isso de ir vivendo à flor da pele ainda mata um!
resta esse medo de que o tempo não dê conta e tudo insista em não bastar.
ando sobrecarregada de insuficiências.

22 de novembro de 2011

quando o dia nasce assim, na contramão, dá vontade de ir dormir mais cedo só pra ver se ele desacontece.

21 de novembro de 2011

grandes dores podem nascer quando escolhemos ou aceitamos coisas sem fazer idéia do que de fato queremos ou precisamos.

20 de novembro de 2011

já os domingos, me dão certo gostosão dias tão sem perspectiva, que tudo parece surpreender...

19 de novembro de 2011

parece imperioso ser feliz aos sábados. isso me deixa meio tensa. acontece também nas noites de reveillon, em proporções que beiram a histeria.

18 de novembro de 2011

fizesse ainda sentido, pediria desculpas àquele que para sempre me será o primeiro. mas anos se passaram, a gente se esvaziou e parece enfim ter se consumado o tempo das não-palavras.

17 de novembro de 2011

ando meio desconfortável com essa recente falta de habilidades - ou paciência - no trato social. parece que de repente me desencontrei até das máscaras mais elementares, sabe como é?

16 de novembro de 2011

é tempo de reorganizar minhas convicções e implodir esse excesso anestesiante de relativismos.
estranho perceber que a completa inabilidade em me dar alento tenha sido o maior presente que ele tinha para me dar. a urgência que isso fez nascer em mim, no fim das contas, veio bem a calhar.

15 de novembro de 2011

falo de uma espécie bem específica de curiosidade - aquela que te move a entrar cada vez mais fundo no poço, fuçar tudo aquilo que não entende e derrubar os alicerces que te mantinham numa zona de conforto constante. afinal de contas: pra quê? como assim "pra entender, simplesmente"? então tudo não passa de vaidade?

14 de novembro de 2011

é preciso desejar a felicidade com menos pudor.

13 de novembro de 2011

desejei vitórias que não eram minhas, apavorei com medos que não entendo, sofri com dores que não sentia, pus meus planos contra a parede, suspeitei de minhas maiores verdades e quase me convenci de que só existe um "jeito certo" de lidar com a vida.

comecei a experimentar o amor me encantando com o riso. era meio bobo. tempos depois, caí de sentimentos pelo trágico. foi meio triste. a partir de agora, busco uma composição tragicômica que consiga dialogar com meu lirismo.

demorei muito tempo para me dar conta de que humor é fundamental para suportar o lado trágico da compreensão. ando finalmente tentando redescobrir os contornos do meu "frágil equilíbrio".
Ouvi (ou li) algo um dia desses que falava do amor "se diluindo". Guardei essa imagem com um carinho enorme. Achei tão reconfortante a idéia de que, contrariando expectativas de uma ruptura brusca, o amor aos poucos vai se diluindo - no próprio tempo, na memória, nos afazeres diários, nas novas histórias e esperanças, nos versos, no filme bonito que a gente assiste ou na música triste que insiste em ouvir -, em um processo lento e constante, até que se torne (inevitavelmente) irreconhecível e já não nos pareça conveniente continuar a chamá-lo de amor.


(provocada pela inquietação dessa moça, tão cheia de sensibilidades)

12 de novembro de 2011

hoje percebi como minha última relação quase me fez esquecer que amar pode ser simples.

8 de novembro de 2011

de tudo aquilo, o que dói mesmo é que não tenhas nada a me dizer. 

Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas... Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo.

Estou te querendo muito bem neste minuto. Tinha vontade que você estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes, pequenas, e sem nenhuma importância, algumas. Fique feliz, fique bem feliz, fique bem claro, queira ser feliz. Você é muito lindo e eu tento te enviar a minha melhor vibração de axé. Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. 

 * caio fernando abreu

7 de novembro de 2011

“As cores são a chave, os olhos o machado, a alma é o piano com as cordas”


(Improvisation 19, Kandinsky)


(sempre que "descubro" - tão tardiamente - um artista que provoca a minha sensibilidade, sinto um rancor enorme do nosso sistema educacional, que não leva a educação artística nada a sério...)

6 de novembro de 2011

senti vontade de dizer "te quero bem" pro meu menino - aquele, que há tempos não é mais menino, muito menos meu. estranho ter que lidar, até hoje, com essa espécie descabida de carinho, que já não tem espaço algum nesse rearranjo que fizemos de nós dois.

3 de novembro de 2011

dia desses, não sei bem porque, lembrei do moço bonito de copacabana. aquele, que sequer chegou a capítulo - prefácio, talvez? - de história. é que não bastasse o sambinha a dois, os fogos à meia-noite e a prosa gostosa, tinha até uma floricultura enfeitando o enredo...


é, ando meio nostálgica de me sentir feliz sem muita gravidade. 
era mais ou menos assim, olha:

tem dias - em especial quando chove - em que desejo muito que as minhas dificuldades pudessem desaparecer por decreto. assim, bem "a la leminski" mesmo. 

1 de novembro de 2011

foi quando eu precisei da sua voz de homem, que pela primeira vez você se fez silêncio. no momento em que busquei nas suas mãos um apoio para a minha fragilidade, eu já estava só.

foi quando mais precisei da sua humanidade, que você voltou ao barro. e eu fiquei ali, assustada, velando a sua imobilidade na esperança de que um deus qualquer nos surpreendesse novamente com seu sopro mágico.

eu precisava muito que você arregaçasse as mangas dessa blusa pelo avesso e lutasse junto comigo contra a obviedade de um fim sem brilho. que saísse do lugar-comum e me puxasse pra dançar, não importa que fosse a primeira (ou última) vez. 

comecei uma faxina por aqui, daquelas em que a gente se propõe a retirar cada coisa do seu lugar, avaliar a utilidade, varrer a poeira pra longe e inventar um jeito prático de arrumar o que restou. 

ainda hoje precisei de uma prateleira nova cá dentro do peito pra organizar as descobertas inconvenientes que têm surgido desde que resolvi passar a vida a limpo.