30 de abril de 2012

estranho me flagar quase cometendo um velho erro e achar bastante graça. ao final do dia a lição que fica é que, por mais que ainda esteja sujeita aos mesmos riscos, eu já não sou a mesma. e mesmo que algumas situações me soem familiares, os instrumentos que hoje carrego para lidar com elas são completamente outros. estou mais atenta, preparada e muito mais convicta do que não quero para mim. isso é bem saudável e me poupa uma energia enorme.



24 de abril de 2012

existem paixões em relação às quais, mesmo que a gente um dia se profissionalize, não deixaremos nunca de ser amadores.


acervo pessoal

23 de abril de 2012

É por esperar demais? Ou porque no fundo talvez eu já não espere muito? Porque será que viver, de uma hora para a outra, me volta a doer e dar tanto trabalho assim? É muito feio admitir que, de vez em quando, existir tem me dado uma preguiça enorme?
mas isso que a gente sente e chama de falta, é o exato oposto dela; a mais inevitável das presenças, dessas que nenhum silêncio parece saber calar.

21 de abril de 2012

o filho que nunca tive volta e meia dialoga com a mãe que não cheguei a ser.
é uma conversa resignada e triste, balbuciada à meia luz, que faz eco a um punhado de promessas interrompidas. os dois se entendem. eu nem me meto.

18 de abril de 2012

quando a poeira enfim baixou pude perceber que ninguém havia morrido.
só assim desfez-se o luto.


16 de abril de 2012

me assustou perceber quanta dor as pessoas podem causar, mesmo na melhor das intenções. meu medo agora é reagir a essas lições de uma forma exagerada, distribuindo evasivas para não ter que lidar com os riscos de um novo alguém.

14 de abril de 2012

Então é isso? 

Essa renúncia cheia de mágoas, disfarçada de grande decisão? Essa urgência por cavar bem à marra um novo caminho, já que todos os outros não parecem mais viáveis? 

É isso mesmo? Essa tomada de consciência de que, à medida que os anos passam, ser feita de sonhos já não basta? Assumir derrotas atordoantes e ter que encontrar um resto de fôlego para se manter em pé? Essa ânsia por construir qualquer coisa palpável que vá além da esperança... e entender que algumas esperanças às vezes precisam, sim, ser colocadas à margem da vida? 

Quer dizer que é assim? Essa angústia ao ver os pés cravados no chão e o céu sumindo, cada vez mais alto, cada vez mais longe? É dar o braço a torcer, abrindo mão de todas aquelas crenças às quais a gente talvez se mantivesse apegado por não saber como ser de outro jeito? É abrir mão dos próprios discursos por não conseguir mais convencer sequer a si mesmo? 

É ceder aos poucos, sentindo a alma enrijecer lentamente? Engolir o choro, o orgulho, o nó na garganta e alguns sapos bem indigestos? É aprender a abafar o murmúrio doído dessa criança traída que mora dentro de mim? É desistir, quando os calos já estão tão magoados que insistir nem é mais opção? Então amadurecer é isso?



(revisitando sensações)

11 de abril de 2012

tenho revirado baús dos quais já nem me lembrava, na tentativa de compreender melhor como é possível me libertar desses velhos - falhos - hábitos de conceber a vida. ando tentando equacionar melhor os riscos de desejar uma vida com tão poucos riscos e percebi que, por mais que eu não queira apostar, já está tudo em jogo. há tempos. 

9 de abril de 2012

no pequeno vaso cuidadosamente esquecido no canto da sala insiste em crescer a plantinha que desistiu de florir. ela me provoca sentimentos bem confusos.



minha alegria se alimenta de gente. para mim, felicidades chegam sempre bem acompanhadas, a povoar quaisquer vazios com bem querer e cumplicidade. até meu silêncio pede um espacinho qualquer na existência de outro alguém para ecoar com alguma beleza. as paisagens, nos caminhos que sigo, até me impressionam, mas são sempre pessoas que me tiram o fôlego e acariciam a alma. percebi que tenho uma fome enorme de convivência e é bem por aí que estar só vez ou outra me consome.


farol da barra . salvador . bahia (acervo pessoal)

3 de abril de 2012

Uma certa cor torta espera abril.

Manoel de Barros

2 de abril de 2012

ainda tenho dificuldades em entender se a escrita é o meu refúgio ou minha casa.