28 de junho de 2012


até que um dia a gente aprende que é possível enfeitar a vida com flores de papel crepom. e isso nem é metáfora...

23 de junho de 2012


bonito quando alguém surge em desaviso e interrompe-nos o nada.
por muito tempo tudo que eu queria era um motivo pra pensar no que passou com mais ternura. mas as coisas insistiam em ser meio amargas, justo pra mim, que sempre tive tanto apego à doçura. e logo eu, que cresci fantasiando uma vida em tons pastéis e catando poesia que nem existia nas esquinas dos sentimentos difíceis, volta e meia ainda me flagro à sombra boba de alguns não acontecimentos.

21 de junho de 2012

há coisas que ainda doem. depois de meses. depois de anos. pra mais de década. passada uma vida inteira. há coisas que não deixarão de doer nunca - e viver independe disso.

12 de junho de 2012


nesse 12 de junho eu prometo, papai do céu, nunca mais rimar amor com dor. se não por amor próprio, que seja por pudor estilístico!

- ele é alto, né?
- é...
- ele é forte, né?
- é!
- sabe o que eu pensei quando a gente se conheceu?
- não, o quê?
- que é homem demais pra um só coração...

11 de junho de 2012

ele desabafa, todo perdido:
- não encontro sequer um motivo pra ter dado errado...

ao que ela responde, toda encontrada:
- ora pois: quer maior prova de que tudo deu certo?!

ele sorri, ela sorri; e a vida solta uma gargalhada daquelas.
mais uma vez, os dois se entendem... como sempre (e como nunca mais).

9 de junho de 2012

não, não é somente perda. há mesmo uma espécie de ganho incalculável depois que a gente repassa tudo aquilo que doeu. surge uma certa compreensão bem bonita de que a vida de verdade é exatamente o que resta depois que assentamos a poeira das grandes ilusões. e como é gostoso perceber que o real também pode ser doce...
eu hoje confessei essa sinceridade a uma amiga: que embora eu quisesse tanto dar certo com ele, sempre soube existirem formas bem mais eficazes de ser feliz.

8 de junho de 2012

não é que eu tivesse medo de monstros; é que o grande monstro da minha infância foi o próprio medo em si. era esse o meu fantasma, o bicho papão que a qualquer momento poderia aparecer a me puxar os pés no meio de uma noite qualquer e contra o qual eu acreditava terminantemente não ser capaz de lutar. o medo entrou em  minha vida muito cedo, por tabela, travestido de patologia e carregado de consequências devastadoras. e eu vivia assustada, com receio de que esse bicho viesse me bater à porta um dia qualquer para fazer o mesmo tipo de estrago que o vi fazer à vida da minha irmã. hoje percebo que absorvi muito o peso das dores de outro alguém e o quanto esse medo do medo condicionou quase todas as minhas escolhas até aqui. passei a vida pressupondo dificuldades que eu talvez nem tivesse, a tentar me proteger de batalhas que ainda nem eram minhas. perceber esse tipo de coisa ressignifica uma porção importante da minha história.

7 de junho de 2012

tenho conhecido uma porção de gente sem conhecer ninguém. isso cansa. é que eu gosto mesmo do que vem depois, quando a gente pactua em silêncio que se quer bem, que tem um tanto a dividir e está realmente disposto a conhecer os imprevistos de outro alguém.  bom mesmo é quando a gente baixa a guarda, deixa que o outro passeie pelos nossos planos descabidos, mergulhe em nossos constrangimentos mais bobos e habite uma esquina estratégica em nossa existência. aí, sim, a coisa começa a ter alguma graça. mas é tão raro...  
é estranho se dar conta de tanta coisa de uma só vez. faz a gente se sentir meio bobo, meio cínico, em meio a esse palco de camufla-esquece-esconde-distrai. me foram necessários sentimentos muito extremos para que enfim eu despertasse para as coisas mais elementares. só então me dei conta de que entre o que sou e o que penso ser existe uma distância enorme que ainda me escapa. provavelmente sempre me escapará. 

4 de junho de 2012

o curioso é que eu não queria ele de volta. nem ele, nem outro alguém qualquer que pudesse ocupar aquele espaço enorme e sagrado que me sobrava, vazio, aqui por dentro. o que eu queria, bem lá no fundo, era desocupar de vez o peito inteiro e tirar tudo lá de dentro o quanto antes, para encontrar um novo canto que fizesse eco à minha própria voz.

3 de junho de 2012

... e a vida volta a seguir com seu velho traquejo, sem mais nem menos dores que de costume.