10 de outubro de 2012

Em meu conceito, pra ser gente de verdade é preciso, ao menos uma vez na vida, já ter se estrebuchado no chão, não importa o motivo. Gente que é gente, mesmo, leva tombo. Não tem jeito. Tem que ter um pedaço cortado, arrancado, queimado, dolorido ou ralado. Tem que já ter perdido alguém. Ou algo. Ou a si mesmo - de preferência mais de uma vez. Tem que já haver questionado, só por curiosidade, onde é mesmo que fica o tal fundo do poço - e até se existe outro fundo para além do tal fundo do poço -, sem jamais encontrar a resposta correta. Aliás, gente que é gente, mesmo, não põe lá muita fé nessa coisa de respostas certas e tem pavor de quando outra gente (bem menos gente) se aproxima demais carregada de pretensas verdades. É que gente que é muito gente sempre desconfia de fórmulas prontas e carrega a suspeita de que a vida não é tão simples assim. Nem precisa ser.

Acho que gente precisa, mesmo, ser meio surrada, sabe? Igual sapato velho. É esse tipo de gente que me conforta, que me deixa à vontade e me faz querer caminhar junto por longas distâncias. As melhores gentes da minha vida são assim, todas remendadinhas - e justo isso lhes dá um colorido tão lindo... 


4 comentários:

  1. Tudo muito bonito por aqui também, Juliana!
    Beijo grande!

    ResponderExcluir
  2. Como vidro. Como vivo. Comovido... tô comovido. Faz de conta que é o vinho, rs.

    ResponderExcluir
  3. De quem é esse texto? Lindo.

    ResponderExcluir