31 de julho de 2012

nem inteligência, nem habilidade; nem brilhantismo, quiçá eloquência. tenho especial admiração é por pessoas coerentes.

30 de julho de 2012

já faz tempo que o amor acabou por completo. o desejo, até antes. a cumplicidade, aos poucos, foi-se também. mas ainda hoje, quando a gente se encontra, sinto uma pontinha de frustração por não termos sido capazes de recontextualizar nossos papéis na vida um do outro. e depois de todos aqueles anos juntos - e de todos esses anos separados -, é bem estranho perceber que a gente quase tenha se tornado irrelevante um para o outro. não é caso de dor, mas confesso que a ideia geral por trás disso tudo me soa um pouco triste...

28 de julho de 2012

tá bem, entendi. já deu pra notar que é impossível parar de jogar, simplesmente. mesmo que a gente queira. mesmo que a gente concorde. mesmo que a gente combine. haverá sempre um pequeno espaço nebuloso que nos escapa totalmente ao controle entre aquilo que queremos dar a entender e o tanto que o outro consegue apreender disso. restará sempre uma ou outra palavra mal colocada; ou silêncio. é bem difícil, mesmo, fugir desse impulso louco em tentar entender as entrelinhas de um outro alguém que no frigir dos ovos pode estar sendo simplesmente literal. o jogo está posto, sempre. por mais que a gente finja que não. por mais que disfarce. por mais que insista em ser sincero, cuidadoso, pôr tudo em pratos limpos. ainda assim é jogo, entendi. e acho até que podemos fazer de uma forma bem mais divertida, sabe?

25 de julho de 2012

reencontro gostoso com a minha melhor sozinhez - pois no fim do dia era justo isso que me fazia a maior falta.

ando (enfim) tão disposta a ser feliz no miudinho...

19 de julho de 2012

nas palavras que nos chegam um pouco cedo, quando não estamos nada preparados; naquelas outras que demoram tanto a vir que já nos chegam carentes de sentido; nos tropeços que a gente dá entre o que quer dizer e o que é melhor subentender; na procura desajeitada por medidas adequadas de silêncio e revelação; na construção sutil de cumplicidade entre vidas que acabaram de se cruzar; na incerteza dos limites do espaço do outro; num lugar estranho que instiga e retrai, tudo ao mesmo tempo; é bem aí, nesse atabalhoamento inicial dos novos encontros, que eu normalmente me perco do outro. 

18 de julho de 2012

eu não precisava saber que a borboleta amarela vive tão pouco tempo. eu não fazia a menor questão de descobrir que esse gato que nos visita não é o mesmo que um dia deixamos por ali. algumas verdades apequenam o mundo. 
foi em meio a muitos planos de futuro que a gente de repente se tornou passado, por demais incapazes de lidar com o agora. e por meses a fio, para mim, isso foi o mais difícil de entender: que tivéssemos nos desencontrado entre dois tempos que sequer existem.

17 de julho de 2012

vez ou outra é inevitável querer entender os motivos que me fizeram insistir por todo aquele tempo em coisas que me doíam tanto. pois por mais difícil que cada um dos rompimentos tenha sido, eles não foram, nem de longe, a pior parte. era sempre aquele arrastar sem propósito o que mais me dilacerava o peito, a conta gotas, enchendo de melancolia e ausência os momentos em que estávamos mais próximos.

gastei energia demais apegada a velhos planos que não cabiam mais em mim, tentando remodelar sentimentos esvaziados e fazer do pouco que restava qualquer coisa que me bastasse. mas não bastava nunca. e como eu demorava demais a perceber isso, sempre que era chegado o dia de enfim cortar os laços com esse pouco que já não bastava, eu me flagrava completamente desajeitada para novas alegrias. e precisava começar tudo de novo, do zero, abrindo à força uma brechinha qualquer pra que a leveza começasse a entrar.

13 de julho de 2012

eu não preciso de você. e é justo por sentir com tanta paz o quanto eu não preciso mais de você, que eu hoje te quero tanto; que te quero de um jeito tão livre. é exatamente por me sentir pronta para o caso de você não chegar nunca, que eu desejo com tamanha sinceridade que você me surpreenda e apareça um dia. que seja de mansinho ou supetão, engasgado de palavras ou silêncios, revestido de passado ou apontando novos rumos; que me traduza ou me questione, combine comigo, me complete ou nada disso. pois é justo quando volto a me sentir tão firme e resolvida sem você, que eu me percebo disposta a te encontrar mais uma vez.

e como hoje é sexta-feira, eu proponho um brinde: a cada um dos rostos em que um dia te reconheci e àquele que um dia ainda possa me chegar surpreendentemente carregado do sempre novo você de sempre.
confissão "ex"temporal: desnamorar você foi chatinho pacas.
tão gostosos esses encontros que a gente tem, distraidamente, bem nos momentos em que nos sentimos menos carentes de qualquer outro alguém...

12 de julho de 2012

sim, é verdade. esse excesso de possibilidades, tendência que sempre tive de escancarar o máximo de portas e deixá-las em aberto pelo maior tempo possível,  pode ter afinal comprometido muito a qualidade de cada uma das minhas experiências. percebi que ter um leque muito grande de opções dá um peso desmedido às decisões mais simples do meu dia e faz com que cada escolha, mesmo - e principalmente -  as mais pensadas e bem feitas, também carreguem essa carga irracional de frustrações pelo tanto de não-escolhas que significam. é exatamente nesse aspecto que liberdade demais muitas vezes me paralisa.
concordo com o homem que diz não acreditar em experiência moral sem culpa. e não é que a gente tem, mesmo, essa mania pós-católica de tentar abolir toda e qualquer culpa de nossa história? mas se acaso a gente consegue um troço desse, resta o que dos nossos grandes erros?

11 de julho de 2012


sabe, moço... afinal, para ser alegre a gente não tem que ser tolo. o que eu quero te dizer com isso é que é possível, sim, enfeitar com um pouco de delicadeza toda brutalidade que a vida impõe; que dá pra pôr um pouquinho de cor nos dias que doem e aproveitar os suspiros mais fundos pra renovar de uma vez todo o ar dos pulmões; que é possível - e até saudável - futucar, remexer e ir bem fundo nos tantos porquês e pra quês, sem contudo jogar a toalha na outra parte, aquela que diverte. dá pra ser bastante feliz sem perder a dignidade. acredite. 

10 de julho de 2012

e todo aquele gostar contido, sentimento enviezado e cheio de pudores em se firmar completo, serviu para que enfim eu chegasse aos dias de hoje convencida de que em se tratando de amor, economia é uma baita estupidez; pra entender em definitivo que o gostar se multiplica quanto mais a gente doa e se aprofunda na medida inversa de cautelas descabidas. sou partidária dos amores declarados. 

3 de julho de 2012

o tempo pouco a pouco vai desfocando as memórias.

certa vez, tentando destrinchar meus vazios, escrevi: "é sempre por medo que você evita ir mais a fundo nesse lugar onde talvez já tenha até chegado. e eu te entendo, sabe? porque, afinal de contas, existe sempre essa possibilidade aterrorizante à sua espreita, de estar fazendo tudo errado. mais uma vez. e você sabe que a única chance que tem de seguir adiante, talvez, seja mesmo descobrindo um jeito de não saber. pelo menos por enquanto."

àquele tempo eu não havia percebido que enquanto a gente não (se) entende, esse caminhar não nos leva à frente, mas faz-se em círculos. incessantemente. e pé ante pé a gente vai caindo nos mesmos buracos. fugindo dos mesmos fantasmas. desviando dos mesmos abismos. pegando os mesmos atalhos para chegar ao mesmíssimo ponto onde tudo começou. até que um dia a gente resolve tentar entender. e só assim  novos caminhos enfim despontam do meio de tanta mesmice.