12 de outubro de 2011

você sente um vazio sem nome, uma dor disforme de quem não sabe se sabe porque é mesmo que dói sempre tanto assim. você talvez saiba, mas não tem coragem de assumir. você tenta não pensar e evita ir longe demais - é que saber que sabe pode machucar fundo demais e você sente que, cá entre nós, não deve ser saudável carregar tanto peso de uma só vez. 

mas existe também essa impossibilidade de leveza, essa ervilha debaixo do colchão, a suspeita incômoda de que você talvez saiba, sim, um pouco além do que previa. daí o medo. daí o pavor de dizer em voz alta o que acredita saber, como a evitar que suspeitas incômodas se vistam de clareza. medo de se tornar responsável pelo que se esconde nas esquinas da consciência. medo de ser tragado pela lucidez da própria condição e se descobrir menos do que um dia pretendeu. medo de falar alto de todos esses medos e acabar despertando a legião de demônios que, não se sabe como, um dia conseguiu pôr para dormir. 

é sempre por medo que você evita ir mais a fundo nesse lugar onde talvez já tenha até pisado. e eu te entendo, sabe? porque, afinal de contas, existe sempre essa suspeita aterrorizante à sua espreita, de estar fazendo tudo errado mais uma vez. e você sabe que a única chance que tem de seguir adiante, talvez, seja mesmo descobrindo um jeito de não saber demais. pelo menos por enquanto.

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