14 de abril de 2012

Então é isso? 

Essa renúncia cheia de mágoas, disfarçada de grande decisão? Essa urgência por cavar bem à marra um novo caminho, já que todos os outros não parecem mais viáveis? 

É isso mesmo? Essa tomada de consciência de que, à medida que os anos passam, ser feita de sonhos já não basta? Assumir derrotas atordoantes e ter que encontrar um resto de fôlego para se manter em pé? Essa ânsia por construir qualquer coisa palpável que vá além da esperança... e entender que algumas esperanças às vezes precisam, sim, ser colocadas à margem da vida? 

Quer dizer que é assim? Essa angústia ao ver os pés cravados no chão e o céu sumindo, cada vez mais alto, cada vez mais longe? É dar o braço a torcer, abrindo mão de todas aquelas crenças às quais a gente talvez se mantivesse apegado por não saber como ser de outro jeito? É abrir mão dos próprios discursos por não conseguir mais convencer sequer a si mesmo? 

É ceder aos poucos, sentindo a alma enrijecer lentamente? Engolir o choro, o orgulho, o nó na garganta e alguns sapos bem indigestos? É aprender a abafar o murmúrio doído dessa criança traída que mora dentro de mim? É desistir, quando os calos já estão tão magoados que insistir nem é mais opção? Então amadurecer é isso?



(revisitando sensações)

Um comentário:

  1. Falta olhar o outro lado da moeda... não é somente perda. =)

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