12 de novembro de 2012

tem uns instantes em que a gente se distrai e é feliz à beça, mesmo, menina. são momentos em que a gente se permite afrouxar o riso e rolar ladeira abaixo, desapegados de maiores precauções. pois em tempos assim, o melhor que você faz é descer desse salto e calçar a primeira sapatilha que encontrar. recomendo até que tome coragem e compre enfim o tal "batom mais vermelho do mundo". e sabe o que mais? pode usar, menina, que ele cai super bem nesses dias em festa, em especial quando a gente resolve se tirar pra dançar. aí, também, vale tudo; inclusive colorir as unhas só pra combinar com ele. vale até acreditar que pintar lábios e mãos pode ajudar a enxergar a vida com mais graça. em tempos assim é preciso, mesmo, se aprumar com gosto, enfeitar a alma com levezas, ligar o rádio (em qualquer estação) e sambar sem nenhuma pressa. mas vê se abraça com vontade esses dias sem dor, menina. sem dó. e pode se lambuzar inteirinha, se doar de corpo inteiro a essa fina fé dos dias bonitos, sem se importar em nada que ela possa virar pó no dia seguinte. a gente também pode, ué! e sabe o que mais? em momentos como esse, o melhor é mesmo dar um pontapé nas probabilidades que acaso lhe cheguem no contra-fluxo da alegria. deixa os pesos mortos de lado e faz bagunça sem receios com esse teu agora leve, mas tão leve, que por muito pouco não escapa entre os dedos das tuas mãos em cor.

são tão raras essas manhãs habilitadas para crenças, menina, que considero de bom tom que tu assumas teu vermelho escancarado, teu prazer mais escrachado e - porque não? - um humor bem debochado e aproveite a oportunidade para zombar um pouco de toda essa gente séria disfarçada de coerência ao teu redor; em dias assim eles bem que merecem o teu despeito. 

... mas não te assustes se ao fim de um dia próximo perceberes que não era nada disso; ou se o batom  em algum momento for esquecido no fundo de uma gaveta empoeirada; ou mesmo se uma segunda-feira chegar impondo-lhe um par de saltos desconfortáveis. ainda que o mundo inteiro tente lhe convencer a ler um livro que fala de prazer em tons de cinza; ou que a música bonita do seu rádio imaginário seja interrompida pela notícia triste que você não gostaria de ouvir; mesmo que seja tão provável que tudo isso já já venha abaixo, tenta aproveitar sem pudores teus momentos de alegria em cores. pois ainda que finda, menina, é essa a tua versão mais linda. 


Um comentário:

  1. Ain, arrepiei! Esse texto deveria se chamar ressaca. Ou "acordei chata, burra e feia na segunda-feira".rs Mas ó, estou aqui prontinha pra gente jogar tudo pra cima. Ooooxe, como era doce! :*

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