5 de fevereiro de 2012

"(...) Só no parapeito da morte o pai sente-se pronto para dar um lugar para o horror. Pela memória do único texto que precisa interpretar, o pai finalmente pode deixar de atuar. O pai então escreve o diário – e transforma o monstro que o come por dentro em palavra escrita. Mas, para que sua sobrevivência ao Holocausto tenha sido não uma morte, mas uma vida, ele precisa endereçar essa memória. Pois a carta que não chega ao seu destino para ser lida pelo outro não é uma carta, mas um esquecimento sem lembrança. "


hoje eu topei com essa resenha da colunista eliane brum sobre um belo documentário israelense. confesso que esse trecho mexeu um pouco com as minhas vontades, fazendo cócegas em toda essa certeza de afastamento com a qual me vesti desde que precisei parar de doer. admito que ando um pouco cansada de tantos diálogos imaginários e cartas desendereçadas. é que faz bem mais sentido quando a gente encontra um destinatário...

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