não caber em si nem sempre é sobra. pode ser falta, descompasso, desencaixe, desinteresse. pode ser essa pessoa (ou mais de uma) que a gente performa exigindo licença para se reconstruir em outra história, em outro arco dramático, se possível do zero. mas reinventar-se nessa medida exige tanto desapego, que apesar do desejo eu não sei se consigo.
16 de maio de 2019
15 de maio de 2019
preparei uma festa pra mim. limpei a casa, lustrei os móveis, comprei lírios brancos e vinho tinto. fiz jantar, pus perfume, o som nas alturas, as taças de vidro. pintei as unhas, colori os lábios, avermelhei bochechas, abri janelas. cabelo ao vento, luz amarela e o melhor lugar separado à mesa. fiz uma baita festa pra mim mas adormeci, exausta, ainda à minha espera.
dei de sonhar com meu primeiro amor. aquele, que arrisco dizer nem ter sido o maior (se para amar houver medida), sequer o mais doloroso. tampouco o mais presente, em tempo ou distância. no último sonho, faz um par de dias, passeávamos de barco com toda a minha família. já não éramos casal, nem queríamos. e eu precisava ir embora, planos prontos para outra viagem, em novas companhias. por algum motivo, porém, eu fazia as malas devagar demais. arrastava o quanto possível a despedida, como a desejar (não sem pudor) que ele dissesse: "fica". eu iria, ainda assim. no fundo, sabia. ele também. mas por algum motivo eu precisava muito ouvir do meu primeiro grande amor que, por mais que a vida nos lançasse a distintos mares, alguma ínfima parte da poesia do que fomos não naufragaria.
fui embora sem que ele dissesse nada.
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