7 de janeiro de 2026

num intervalo de quatro anos eu virei mãe e enterrei meu pai. troquei de pele, endereço, profissão, estado civil. supus ter vislumbrado algum sentido um punhado de vezes pelo caminho e dei de cara com a enorme fragilidade das bordas de mim. me esfacelei em mil outras, estranhas entranhas. avancei no desconhecido sem entender se o que me move é coragem ou puro pavor. tive acesso a outros mundos, submundos, sobremundos. dormi pouco, li pouco, sonhei pouco, falei pouco. amei, ousei, escutei e aprendi como nunca. senti saudades dilacerantes. tentei dialogar com meus desconfortos, mas acatei seus silêncios. comprei uma árvore de natal. aprendi a desejar e ter pressa. saí da teoria. quebrei, derreti, retorci, represei. tudo à volta (e cá dentro) sussurra que é preciso escoar, nem que seja pelas beiradas...  mas ando bem cansada.