me agrada lidar com a certeza de alguns afetos enfim consumados.
21 de fevereiro de 2016
5 de fevereiro de 2016
vasculhei os porões do meu peito, coração e memória em busca de algo a dizer; não restava nada. nadinha. nem o vazio habitual, nem
dor, qualquer carinho ou rancor. nada. nenhuma palavra em suspenso, dúvida, curiosidade,
lamento ou saudade. os velhos receios parecem enfim desgastados. pelo tempo, pela história, ao longo do caminho trilhado em direção à mulher que sou agora. antigos rasgos costurados, exageros
podados, fantasmas expurgados. e fora a surpresa pelo encontro inesperado, nada naquela presença parecia tocar ou dialogar com a pessoa que me tornei. nada. não me
interessam suas palavras, sua história, suas culpas ou vitórias. não me importa
o que pensa ou sente, deseja ou pretende. nada disso faz mais diferença.
finalmente.
Assim como do fundo da música
Silêncio | Octavio Paz
Assim como do fundo da música
brota uma nota
que enquanto vibra cresce se afina
até que em outra música se cala,
brota do fundo do silêncio
outro silêncio, torre aguda, espada,
e sobe e cresce e nos suspende
e enquanto sobe caem
recordações, esperanças,
as pequenas mentiras e as grandes,
e queremos gritar e na garganta
o grito se desmancha:
desembocamos no silêncio
onde os silêncios emudecem.
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