1 de dezembro de 2014
22 de setembro de 2014
e mesmo sendo tudo novo, por que é que insiste (chata) a sensação de que não mudou nada? já que parece ser tão outra essa pessoa que me habita, com novos sonhos, projetos, receios, desejos, companhias, endereço. com novas referências, menos reverência e tudo remexido, revirado, traduzido, revisado... já que é tão nova a história que venho tentando traçar na corda bamba do imponderável; se são tão outras as razões que me movem. paixões que me cegam. amanhãs que aparentemente me aguardam... dá pra me explicar, então, como é que em meio a tanta novidade eu consigo sentir que ainda não saí do lugar? ando quase convencida de que por mais atalhos que a gente imagine ter descoberto, só amar recicla os caminhos.
21 de setembro de 2014
19 de setembro de 2014
é louco
que depois de ti
não houveram outros
que os que haviam antes
se tornaram ocos
e hoje só exista
um sentimento pouco.
é oco
que depois de ti
não houveram poucos
que os que haviam antes
se tornaram loucos
e hoje só exista
um sentimento outro.
é pouco
que depois de ti
não houveram loucos
que os que haviam antes
se tornaram outros
e hoje só exista
um sentimento oco
que depois de ti
não houveram outros
que os que haviam antes
se tornaram ocos
e hoje só exista
um sentimento pouco.
é oco
que depois de ti
não houveram poucos
que os que haviam antes
se tornaram loucos
e hoje só exista
um sentimento outro.
é pouco
que depois de ti
não houveram loucos
que os que haviam antes
se tornaram outros
e hoje só exista
um sentimento oco
25 de agosto de 2014
28 de julho de 2014
um dia eu reaprendo a caminhar com passos firmes. juro. ainda vou descer dessas pontas, fazer um baita barulho e aprender a existir sem economia de entrega. vou fazer pó dos pés atrás e tirar os fantasmas pra dançar. um a um. vai chegar o dia em que as janelas da minha casa. do meu peito. da minha vida. estarão abertas pras gentes que me importam. e se importam. um dia, prometo, ainda ponho essa manta da sozinhez pra tomar sol só pra assistir ela partir com o vento. e aprendo a aceitar as carícias da vida sem me contrair tanto. sem paralisar de medo. sem negar os ganhos por temer as perdas. vai chegar um dia em que todas essas velhas mágoas serão enfim deportadas e eu sairei da coxia para brincar no palco dos meus desafios diários. e começarei enfim um novo ciclo, como se então me sentisse pronta... ou compreendesse que isso pouco importa.
21 de julho de 2014
29 de maio de 2014
6 de maio de 2014
3 de maio de 2014
de tempos em tempos, há tempos, eu me refaço (em) perguntas. e vejo tudo embaralhado outra vez, para em seguida assentar de outra forma, sob uma nova lógica, fazendo um sentido diferente. mas é tudo tão frágil, tão prestes a se tornar algo outro, que às vezes fica difícil entender quem eu sou e assumir os papéis que me cabem.
talvez por isso pessoas convictas demais me intimidem tanto.
23 de abril de 2014
10 de abril de 2014
- É medo, eu sei. Por ele comecei a sabotar meus
desejos, como se assim pudesse escapar ao risco de doer demais, de querer
demais. Dia desses fiquei bem confusa, sabe? É que de repente não me fez sentido toda aquela mornidão, tantos pés atrás e comecei a suspeitar que eu me importo, sim. Que talvez essa
história de “tanto faz” não passe de uma forma estúpida que encontrei para fugir
a compromissos que me apavora não conseguir cumprir comigo mesma.
Profissional e sussinto, ele se limitou a dizer: "- Queira."
23 de março de 2014
sabe aquela história de que o tempo cura as feridas? sei não. acho que acontece é da gente ir pouco a pouco confundindo os porquês, destecendo as memórias, trocando as emoções de prateleira, transformando coisas grandes em pedaços desconexos de sensações, tirando as dores de contexto, rearranjando os nós, ressignificando papéis, até que um dia tá tudo tão misturado e as marcas tornam-se tão parte do que a gente se tornou, que as causas primeiras esgotam-se em importância.
de início dispensei razões. precisava esquecer, antes de. sem demora. desafiei o peito a escancarar as dores de uma só vez pra ver se sarava mais rápido. necas. levou tempo pacas. na confusão desse enquanto, peito entulhado de mágoas, topei com um novo alguém me pedindo espaço. não tinha. ele disse que improvisava abrigo, achei por bem arriscar. levantou acampamento onde pôde, do lado de fora, num canto desconfortável entre meus planos de vida. ainda assim semeou doçuras. foi o tanto que coube, importante pra muito. insuficiente pra qualquer algo mais.
18 de março de 2014
que fazer quando a gente não consegue se reconhecer? quando os grandes amores são esquecidos, as maiores feridas já não machucam e os sonhos de sempre perdem o sentido? e quando os prazeres chegam em cores novas e a gente nem sabe que nome dar às dores que sente? quando o abraço de quem mais nos conhecia deixa de ser confortável e o silêncio incomoda? quando a cumplicidade desaparece e dá lugar a uma polidez educada, que constrange e machuca? e quando a gente não reconhece o que sente por ser mesmo tudo novo, confuso e embaçado? e quando o quarto está vazio, branco, oco, cheio de prateleiras vazias à espera do punhado que sobrou de sensações encaixotadas? fazer o quê?
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