29 de março de 2012
28 de março de 2012
27 de março de 2012
cara, você fez um rombo no meu peito.
e eu ainda tinha tanta coisa pra dizer, pra dividir, tanta vontade de aprender, de construir, de te fazer feliz. eu ainda tinha tanta coisa bonita aqui dentro, tantos planos, tantas intenções de felicidade, tanta crença em amanhãs a dois. eu ainda tinha brilho nos olhos, borboletas na barriga e aperto de saudade. ainda queria a sua rotina, o seu peso, o seu cansaço. eu continuava precisando tanto de você, da sua bondade, do seu estar comigo. eu queria tanto acelerar o passo, alcançar seu momento, fazer companhia à sua solidão. eu continuava querendo oferecer meu colo, aplacar seus medos e ensaiar contigo um existir em paz.
eu ainda tinha vontade, tinha fôlego e uma porção grande de paciência. só o que eu precisava para me convencer de que fazia todo sentido continuar tentando, era o seu amor. amor sólido. mesmo que fosse sóbrio (como você). mesmo que fosse confuso, cheio de percalços, defeitos e dificuldades (como você). que não fosse incondicional, que não fosse sem limites, mas que, por favor, fosse; inquestionavelmente, fosse.
no fim das contas, isso que faltou. entre todo (o tanto) que me foi dito, foram justo essas as palavras que lhe fugiram. em nosso último diálogo você relegou às entrelinhas toda a parte doce do que a gente tinha, me deixando apenas informações amargas para digerir sozinha. e foi assim que acabou, para mim. vazia do principal, carregada de todo o inútil e doloroso resto.
sentir falta: essa expressão curiosa, que a gente tanto usa, tinha tudo para não fazer muito sentido, mas no fim das contas traduz tão bem esse jeito que o coração tem de tornar palpáveis as ausências que nos habitam...
porque sentir falta é aparar no peito as despedidas inacabadas, tentando proteger velhos quereres desse fino frio do implacável tempo. é tentar fazer do que falta algo que nos reste. mesmo que já não baste. mesmo que o que reste seja muito pouco.
porque sentir falta é aparar no peito as despedidas inacabadas, tentando proteger velhos quereres desse fino frio do implacável tempo. é tentar fazer do que falta algo que nos reste. mesmo que já não baste. mesmo que o que reste seja muito pouco.
22 de março de 2012
21 de março de 2012
Ainda estou me acostumando a essa perspectiva da vida como algo irresolvível. É desconcertante aceitar que a ausência de sentido seja a hipótese que mais sentido faz. Não sei bem se isso liberta ou me limita.
"Dado que estamos perdidos, eis a nossa salvação. Quando estamos perdidos, significa que nada mais nos controla, nada mais nos detém, podemos finalmente inventar nossas vidas. Ser livre é terrível, pois ser livre nos deixa diante do nada. E o que vamos fazer com o nada?"
(Edgar Morin)
19 de março de 2012
estivesse ao meu alcance, por certo que pertenceria a um outro tempo. tempo em que fosse comum dar-se um tempo para existir entre um sentir e outro. tempo em que não fosse estranho querer dispor de tanto tempo para que as dores cicatrizem a seu tempo.
nessa espécie de descompasso, vou trilhando uma existência meio despertencida. é que à medida que o mundo caminha sem freios, a vida teima em me conduzir a falsas urgências que dizem muito pouco sobre mim. e é só para não paralisar, que eu sigo. mesmo descontextualizada. mesmo com essa vontade atropelada de conceber amanhãs sem pressa. mesmo com as emoções desaceleradas, implorando um jeito menos urgente de existir.
17 de março de 2012
14 de março de 2012
sim, pode ser que eu me ocupe em demasia de sentir.
talvez seja esse o meu maior excesso, grande entrave às questões práticas que se acumulam ao meu redor. a verdade é que essa inabilidade para os pragmatismos da vida anda me machucando aos montes. me faz falta essa praticidade bonita dos que transformam versos em atitude.
13 de março de 2012
vez ou outra ainda sinto um pouco de remorso por tanto bem querer desperdiçado e pelo triste esvaziamento de uma quantidade enorme de sentimentos bons.
em meu peito, um coração enternecido e cheio de intenções bonitas um dia insistiu em me convencer que tantas dificuldades talvez fossem inerentes à ideia de felicidade. ao menos em relação a isso, me alivia um pouco essa suspeita acanhada de que eu talvez estivesse, afinal, absolutamente enganada.
em meu peito, um coração enternecido e cheio de intenções bonitas um dia insistiu em me convencer que tantas dificuldades talvez fossem inerentes à ideia de felicidade. ao menos em relação a isso, me alivia um pouco essa suspeita acanhada de que eu talvez estivesse, afinal, absolutamente enganada.
5 de março de 2012
ele era bonito. olhos, boca, nariz... indiscutivelmente. mas no fim das contas, o que me comovia de verdade eram justamente as imperfeições. os pés estranhos, a coluna torta, a roupa descombinada e o jeito absolutamente desajeitado de existir. não que isso hoje faça diferença, mas amei. muito. talvez demais.
eu tive um primeiro grande amor cheio de inocências, que me deu asas para acreditar em coisas belas. sinto falta daquele tipo despropositado de carinho, pura delicadeza de quem ama. em dias como hoje sinto uma pontinha meio triste de saudades das falsas certezas que ele costumava despertar em mim.
era deliciosamente bobo...
Assinar:
Postagens (Atom)