28 de novembro de 2012
27 de novembro de 2012
26 de novembro de 2012
22 de novembro de 2012
21 de novembro de 2012
sempre que um novo repente me faz transver* o mundo, assim de viés, dá uma vontade louca de cantarolar a vida em versos, no agudo deleite de um ponto de vista em tempos de estréia. mas é preciso um bom quinhão de malandragem pra deitar fora as velhas telhas sem sucumbir às tempestades. cada noite de estrelas carrega sua própria escuridão.
* bem na cadência do idioleto manoelês...
* bem na cadência do idioleto manoelês...
20 de novembro de 2012
14 de novembro de 2012
12 de novembro de 2012
tem uns instantes em que a gente se distrai e é feliz à beça, mesmo, menina. são momentos em que a gente se permite afrouxar o riso e rolar ladeira abaixo, desapegados de maiores precauções. pois em tempos assim, o melhor que você faz é descer desse salto e calçar a primeira sapatilha que encontrar. recomendo até que tome coragem e compre enfim o tal "batom mais vermelho do mundo". e sabe o que mais? pode usar, menina, que ele cai super bem nesses dias em festa, em especial quando a gente resolve se tirar pra dançar. aí, também, vale tudo; inclusive colorir as unhas só pra combinar com ele. vale até acreditar que pintar lábios e mãos pode ajudar a enxergar a vida com mais graça. em tempos assim é preciso, mesmo, se aprumar com gosto, enfeitar a alma com levezas, ligar o rádio (em qualquer estação) e sambar sem nenhuma pressa. mas vê se abraça com vontade esses dias sem dor, menina. sem dó. e pode se lambuzar inteirinha, se doar de corpo inteiro a essa fina fé dos dias bonitos, sem se importar em nada que ela possa virar pó no dia seguinte. a gente também pode, ué! e sabe o que mais? em momentos como esse, o melhor é mesmo dar um pontapé nas probabilidades que acaso lhe cheguem no contra-fluxo da alegria. deixa os pesos mortos de lado e faz bagunça sem receios com esse teu agora leve, mas tão leve, que por muito pouco não escapa entre os dedos das tuas mãos em cor.
são tão raras essas manhãs habilitadas para crenças, menina, que considero de bom tom que tu assumas teu vermelho escancarado, teu prazer mais escrachado e - porque não? - um humor bem debochado e aproveite a oportunidade para zombar um pouco de toda essa gente séria disfarçada de coerência ao teu redor; em dias assim eles bem que merecem o teu despeito.
são tão raras essas manhãs habilitadas para crenças, menina, que considero de bom tom que tu assumas teu vermelho escancarado, teu prazer mais escrachado e - porque não? - um humor bem debochado e aproveite a oportunidade para zombar um pouco de toda essa gente séria disfarçada de coerência ao teu redor; em dias assim eles bem que merecem o teu despeito.
... mas não te assustes se ao fim de um dia próximo perceberes que não era nada disso; ou se o batom em algum momento for esquecido no fundo de uma gaveta empoeirada; ou mesmo se uma segunda-feira chegar impondo-lhe um par de saltos desconfortáveis. ainda que o mundo inteiro tente lhe convencer a ler um livro que fala de prazer em tons de cinza; ou que a música bonita do seu rádio imaginário seja interrompida pela notícia triste que você não gostaria de ouvir; mesmo que seja tão provável que tudo isso já já venha abaixo, tenta aproveitar sem pudores teus momentos de alegria em cores. pois ainda que finda, menina, é essa a tua versão mais linda.
9 de novembro de 2012
deu coceira na existência, doutor. não, eu não esperava... mas foi um repente dos bons, sabe? começou no miudinho, formigando bem de leve aqui nesse canto esquecido da alma. bem aqui, tá vendo? isso, doutor, justo na parte mais remendadinha do meu ser quebrado. mas aí foi me tomando de quina, aos pouquinhos, estilhaço por estilhaço, parecendo querer traçar, na marra, um caminho qualquer por onde eu pudesse escoar esse amontoado de sorrisos desendereçados. pois então, doutor, foi isso. afinal, eu descobri que é na fragilidade das minhas gentes mais queridas que eu também me reconheço gente. e que é sempre na cumplicidade das guardas baixas que eu arranjo um jeitinho de tirar todo o mofo do meu bem querer engavetado.
6 de novembro de 2012
, pois não é que logo eu, que adoro saramago, tinha esquecido quanta coisa bonita é capaz de surgir ainda que a gente subverta as regras de pontuação? no fim das contas, não importa muito que a história tenha começado com uma vírgula, nem sequer que tenha sido deixada em suspenso, com dois pontos estrategicamente cravados no parágrafo final, à espera de um travessão que talvez nunca chegue. os grandes escritos da vida têm toda licença do mundo para transgredir docemente as regras que bem entenderem
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