pé da letra é rasteiro, toca o chão.
pouco entende quem não é capaz de abstração.
13 de dezembro de 2012
12 de dezembro de 2012
10 de dezembro de 2012
6 de dezembro de 2012
5 de dezembro de 2012
3 de dezembro de 2012
28 de novembro de 2012
27 de novembro de 2012
26 de novembro de 2012
22 de novembro de 2012
21 de novembro de 2012
sempre que um novo repente me faz transver* o mundo, assim de viés, dá uma vontade louca de cantarolar a vida em versos, no agudo deleite de um ponto de vista em tempos de estréia. mas é preciso um bom quinhão de malandragem pra deitar fora as velhas telhas sem sucumbir às tempestades. cada noite de estrelas carrega sua própria escuridão.
* bem na cadência do idioleto manoelês...
* bem na cadência do idioleto manoelês...
20 de novembro de 2012
14 de novembro de 2012
12 de novembro de 2012
tem uns instantes em que a gente se distrai e é feliz à beça, mesmo, menina. são momentos em que a gente se permite afrouxar o riso e rolar ladeira abaixo, desapegados de maiores precauções. pois em tempos assim, o melhor que você faz é descer desse salto e calçar a primeira sapatilha que encontrar. recomendo até que tome coragem e compre enfim o tal "batom mais vermelho do mundo". e sabe o que mais? pode usar, menina, que ele cai super bem nesses dias em festa, em especial quando a gente resolve se tirar pra dançar. aí, também, vale tudo; inclusive colorir as unhas só pra combinar com ele. vale até acreditar que pintar lábios e mãos pode ajudar a enxergar a vida com mais graça. em tempos assim é preciso, mesmo, se aprumar com gosto, enfeitar a alma com levezas, ligar o rádio (em qualquer estação) e sambar sem nenhuma pressa. mas vê se abraça com vontade esses dias sem dor, menina. sem dó. e pode se lambuzar inteirinha, se doar de corpo inteiro a essa fina fé dos dias bonitos, sem se importar em nada que ela possa virar pó no dia seguinte. a gente também pode, ué! e sabe o que mais? em momentos como esse, o melhor é mesmo dar um pontapé nas probabilidades que acaso lhe cheguem no contra-fluxo da alegria. deixa os pesos mortos de lado e faz bagunça sem receios com esse teu agora leve, mas tão leve, que por muito pouco não escapa entre os dedos das tuas mãos em cor.
são tão raras essas manhãs habilitadas para crenças, menina, que considero de bom tom que tu assumas teu vermelho escancarado, teu prazer mais escrachado e - porque não? - um humor bem debochado e aproveite a oportunidade para zombar um pouco de toda essa gente séria disfarçada de coerência ao teu redor; em dias assim eles bem que merecem o teu despeito.
são tão raras essas manhãs habilitadas para crenças, menina, que considero de bom tom que tu assumas teu vermelho escancarado, teu prazer mais escrachado e - porque não? - um humor bem debochado e aproveite a oportunidade para zombar um pouco de toda essa gente séria disfarçada de coerência ao teu redor; em dias assim eles bem que merecem o teu despeito.
... mas não te assustes se ao fim de um dia próximo perceberes que não era nada disso; ou se o batom em algum momento for esquecido no fundo de uma gaveta empoeirada; ou mesmo se uma segunda-feira chegar impondo-lhe um par de saltos desconfortáveis. ainda que o mundo inteiro tente lhe convencer a ler um livro que fala de prazer em tons de cinza; ou que a música bonita do seu rádio imaginário seja interrompida pela notícia triste que você não gostaria de ouvir; mesmo que seja tão provável que tudo isso já já venha abaixo, tenta aproveitar sem pudores teus momentos de alegria em cores. pois ainda que finda, menina, é essa a tua versão mais linda.
9 de novembro de 2012
deu coceira na existência, doutor. não, eu não esperava... mas foi um repente dos bons, sabe? começou no miudinho, formigando bem de leve aqui nesse canto esquecido da alma. bem aqui, tá vendo? isso, doutor, justo na parte mais remendadinha do meu ser quebrado. mas aí foi me tomando de quina, aos pouquinhos, estilhaço por estilhaço, parecendo querer traçar, na marra, um caminho qualquer por onde eu pudesse escoar esse amontoado de sorrisos desendereçados. pois então, doutor, foi isso. afinal, eu descobri que é na fragilidade das minhas gentes mais queridas que eu também me reconheço gente. e que é sempre na cumplicidade das guardas baixas que eu arranjo um jeitinho de tirar todo o mofo do meu bem querer engavetado.
6 de novembro de 2012
, pois não é que logo eu, que adoro saramago, tinha esquecido quanta coisa bonita é capaz de surgir ainda que a gente subverta as regras de pontuação? no fim das contas, não importa muito que a história tenha começado com uma vírgula, nem sequer que tenha sido deixada em suspenso, com dois pontos estrategicamente cravados no parágrafo final, à espera de um travessão que talvez nunca chegue. os grandes escritos da vida têm toda licença do mundo para transgredir docemente as regras que bem entenderem
26 de outubro de 2012
22 de outubro de 2012
16 de outubro de 2012
10 de outubro de 2012
Em meu conceito, pra ser gente de verdade é preciso, ao menos uma vez na vida, já ter se estrebuchado no chão, não importa o motivo. Gente que é gente, mesmo, leva tombo. Não tem jeito. Tem que ter um pedaço cortado, arrancado, queimado, dolorido ou ralado. Tem que já ter perdido alguém. Ou algo. Ou a si mesmo - de preferência mais de uma vez. Tem que já haver questionado, só por curiosidade, onde é mesmo que fica o tal fundo do poço - e até se existe outro fundo para além do tal fundo do poço -, sem jamais encontrar a resposta correta. Aliás, gente que é gente, mesmo, não põe lá muita fé nessa coisa de respostas certas e tem pavor de quando outra gente (bem menos gente) se aproxima demais carregada de pretensas verdades. É que gente que é muito gente sempre desconfia de fórmulas prontas e carrega a suspeita de que a vida não é tão simples assim. Nem precisa ser.
Acho que gente precisa, mesmo, ser meio surrada, sabe? Igual sapato velho. É esse tipo de gente que me conforta, que me deixa à vontade e me faz querer caminhar junto por longas distâncias. As melhores gentes da minha vida são assim, todas remendadinhas - e justo isso lhes dá um colorido tão lindo...
6 de outubro de 2012
3 de outubro de 2012
2 de outubro de 2012
28 de agosto de 2012
23 de agosto de 2012
eu já nasci com esse defeito, doutor. isso é coisa que a gente traz de fábrica mesmo, e começa a sentir nem bem começou a viver, ali naquele instantezinho inicial em que abrimos berreiro, divididos entre a dor e o alívio da primeira respiração. e nem duvido ter sido já em dia de estréia que eu percebi o quanto todo resto também não seria lá muito fácil.
pois então, doutor, o caso é esse: eu sofro de sensibilidades. assim, no plural mesmo. e não são poucas as vezes em que delicadezas me machucam a ponto de paralisar. sim, é isso, o senhor ouviu bem: a beleza me dói. como não bastasse toda tristeza que a gente precisa aprender a domar, também aquilo que é muito bonito me comove e machuca de modos que razões nunca alcançam. e por falar em razões, doutor, acredita que nem elas me escapam? dia desses, mesmo, pulei da poesia para a teoria. volta e meia eu insisto nisso de tentar escapulir pela porta das grandes ideias, caçando um modo de domar praticidades. dessa vez foi com o tal do foucault. mas aconteceu tudo de novo: um mundo de sutilezas insuportavelmente bonitas se descortinou à minha frente e doeu tanto, que só o senhor vendo...
tem certeza que isso não tem remédio, doutor?
22 de agosto de 2012
estudar todas essas coisas tem sido inesperadamente complicado, por um motivo tolo: é que me dá saudade. a cada vez que um novo pensamento salta dos livros a me dar palpitações, instintivamente corro os olhos ao redor, ofegante, em busca do menino que costumava estar por perto e amava compartilhar idéias. mas ele não está mais ali nem em lugar nenhum ao meu alcance e é preciso enfrentar essa ausência; mais uma vez. e nem se trata de saudade do amor perdido, sabe, mas sim daquela cumplicidade em relação a alguns temas bem específicos, que ainda não consegui encontrar numa outra pessoa.
tenho aprendido uma porção de coisas com muita urgência de troca, e isso é algo que até hoje eu só soube fazer com aquele (único) moço (único). então, a cada vez que me acontece de aprender algo muito bonito, eu sinto chacoalhar em meu peito um vazio que já nem pensava existir. é assim que, vez ou outra, me flagro um bocadinho mais só do que a constante presença de amigos normalmente me deixa supor.
tenho aprendido uma porção de coisas com muita urgência de troca, e isso é algo que até hoje eu só soube fazer com aquele (único) moço (único). então, a cada vez que me acontece de aprender algo muito bonito, eu sinto chacoalhar em meu peito um vazio que já nem pensava existir. é assim que, vez ou outra, me flagro um bocadinho mais só do que a constante presença de amigos normalmente me deixa supor.
20 de agosto de 2012
vez ou outra faz um bem danado escapulir de si - e de todo o resto - para relembrar que é possível existir num outro ritmo, com outros despropósitos.
Cachoeira - Bahia, acervo pessoal
esses pedacinhos de bahia, que existem para além da cidade de todos os santos, normalmente carregam uma doçura que me desconcerta a alma. a gente até se programa, se ajeita, faz planos e pega a estrada, cheios de disposição. mas é preciso chegar lá para compreender o nosso total despreparo em lidar com dias inteiramente tecidos por não-acontecimentos. uma senhora linda de vestido branco me ensinou que o nome disso é paz.
8 de agosto de 2012
e se nada der conta? se a política, a ciência, a religião, filosofia, psicologia, sociologia, antropologia, tecnologia, nem mesmo a poesia comportarem nenhum tipo de resposta, por não haver mesmo resposta possível? e se meu peito insistir nessa sensação de que tudo em que se funda a nossa existência permanece de pé pelo simples fato de que a nossa existência precisa se fundar em alguma coisa? e se não houver mesmo nenhuma ordem moral ou finalidade qualquer que dê sentido ao nosso estar no mundo? e se a humanidade realmente não estiver caminhando em direção alguma por não haver pontos de partida, muito menos porto de chegada? e aí, pra que lado me movo? faz diferença?
6 de agosto de 2012
a princípio me machucava a ideia de ser mero curativo para uma velha ferida na vida de outra pessoa. aos poucos percebi não passarmos, todos nós, de algum tipo de curativo para as grandes feridas na vida de quem a gente ama. e entendi que talvez fosse esse, mesmo, o papel mais bonito que eu pudesse exercer na história daquele alguém.
5 de agosto de 2012
dessa vez fui eu que esbarrei no moço bonito do sorriso largo que volta e meia se esbarra em mim, dizendo uma porção de coisas lindas que não me dizem muito. e é curioso perceber que nossos encontros aconteçam sempre desse mesmo jeito, naquele mesmo lugar, reprodução de um mesmo script com intervalos nada breves de um ano ou dois: ele tentando se tornar algo além, enquanto tudo que desejo é que continue a ser o moço bonito do sorriso largo que volta e meia se esbarra em mim a intervalos nada breves de um ano ou dois, dizendo uma porção de coisas lindas que não me dizem muito.
1 de agosto de 2012
E agora me deixe só, inspector. Me custa chamar lembranças. Porque a memória me chega rasgada, em pedaços desencontrados. Eu quero a paz de pertencer a um só lugar, eu quero a tranquilidade de não dividir memórias. Ser todo de uma vida. E assim ter a certeza que morro de uma só única vez. Custa-me ir cumprindo tantas pequenas mortes, essas que apenas nós notamos, na íntima obscuridade de nós. Me deixe, inspector, que eu acabei de morrer um bocadinho.
(A varanda do frangipani, Mia Couto)
31 de julho de 2012
30 de julho de 2012
já faz tempo que o amor acabou por completo. o desejo, até antes. a cumplicidade, aos poucos, foi-se também. mas ainda hoje, quando a gente se encontra, sinto uma pontinha de frustração por não termos sido capazes de recontextualizar nossos papéis na vida um do outro. e depois de todos aqueles anos juntos - e de todos esses anos separados -, é bem estranho perceber que a gente quase tenha se tornado irrelevante um para o outro. não é caso de dor, mas confesso que a ideia geral por trás disso tudo me soa um pouco triste...
28 de julho de 2012
tá bem, entendi. já deu pra notar que é impossível parar de jogar, simplesmente. mesmo que a gente queira. mesmo que a gente concorde. mesmo que a gente combine. haverá sempre um pequeno espaço nebuloso que nos escapa totalmente ao controle entre aquilo que queremos dar a entender e o tanto que o outro consegue apreender disso. restará sempre uma ou outra palavra mal colocada; ou silêncio. é bem difícil, mesmo, fugir desse impulso louco em tentar entender as entrelinhas de um outro alguém que no frigir dos ovos pode estar sendo simplesmente literal. o jogo está posto, sempre. por mais que a gente finja que não. por mais que disfarce. por mais que insista em ser sincero, cuidadoso, pôr tudo em pratos limpos. ainda assim é jogo, entendi. e acho até que podemos fazer de uma forma bem mais divertida, sabe?
25 de julho de 2012
19 de julho de 2012
nas palavras que nos chegam um pouco cedo, quando não estamos nada preparados; naquelas outras que demoram tanto a vir que já nos chegam carentes de sentido; nos tropeços que a gente dá entre o que quer dizer e o que é melhor subentender; na procura desajeitada por medidas adequadas de silêncio e revelação; na construção sutil de cumplicidade entre vidas que acabaram de se cruzar; na incerteza dos limites do espaço do outro; num lugar estranho que instiga e retrai, tudo ao mesmo tempo; é bem aí, nesse atabalhoamento inicial dos novos encontros, que eu normalmente me perco do outro.
18 de julho de 2012
17 de julho de 2012
vez ou outra é inevitável querer entender os motivos que me fizeram insistir por todo aquele tempo em coisas que me doíam tanto. pois por mais difícil que cada um dos rompimentos tenha sido, eles não foram, nem de longe, a pior parte. era sempre aquele arrastar sem propósito o que mais me dilacerava o peito, a conta gotas, enchendo de melancolia e ausência os momentos em que estávamos mais próximos.
gastei energia demais apegada a velhos planos que não cabiam mais em mim, tentando remodelar sentimentos esvaziados e fazer do pouco que restava qualquer coisa que me bastasse. mas não bastava nunca. e como eu demorava demais a perceber isso, sempre que era chegado o dia de enfim cortar os laços com esse pouco que já não bastava, eu me flagrava completamente desajeitada para novas alegrias. e precisava começar tudo de novo, do zero, abrindo à força uma brechinha qualquer pra que a leveza começasse a entrar.
gastei energia demais apegada a velhos planos que não cabiam mais em mim, tentando remodelar sentimentos esvaziados e fazer do pouco que restava qualquer coisa que me bastasse. mas não bastava nunca. e como eu demorava demais a perceber isso, sempre que era chegado o dia de enfim cortar os laços com esse pouco que já não bastava, eu me flagrava completamente desajeitada para novas alegrias. e precisava começar tudo de novo, do zero, abrindo à força uma brechinha qualquer pra que a leveza começasse a entrar.
13 de julho de 2012
eu não preciso de você. e é justo por sentir com tanta paz o quanto eu não preciso mais de você, que eu hoje te quero tanto; que te quero de um jeito tão livre. é exatamente por me sentir pronta para o caso de você não chegar nunca, que eu desejo com tamanha sinceridade que você me surpreenda e apareça um dia. que seja de mansinho ou supetão, engasgado de palavras ou silêncios, revestido de passado ou apontando novos rumos; que me traduza ou me questione, combine comigo, me complete ou nada disso. pois é justo quando volto a me sentir tão firme e resolvida sem você, que eu me percebo disposta a te encontrar mais uma vez.
e como hoje é sexta-feira, eu proponho um brinde: a cada um dos rostos em que um dia te reconheci e àquele que um dia ainda possa me chegar surpreendentemente carregado do sempre novo você de sempre.
e como hoje é sexta-feira, eu proponho um brinde: a cada um dos rostos em que um dia te reconheci e àquele que um dia ainda possa me chegar surpreendentemente carregado do sempre novo você de sempre.
12 de julho de 2012
sim, é verdade. esse excesso de possibilidades, tendência que sempre tive de escancarar o máximo de portas e deixá-las em aberto pelo maior tempo possível, pode ter afinal comprometido muito a qualidade de cada uma das minhas experiências. percebi que ter um leque muito grande de opções dá um peso desmedido às decisões mais simples do meu dia e faz com que cada escolha, mesmo - e principalmente - as mais pensadas e bem feitas, também carreguem essa carga irracional de frustrações pelo tanto de não-escolhas que significam. é exatamente nesse aspecto que liberdade demais muitas vezes me paralisa.
11 de julho de 2012
sabe, moço... afinal, para ser alegre a gente não tem que ser tolo. o que eu quero te dizer com isso é que é possível, sim, enfeitar com um pouco de delicadeza toda brutalidade que a vida impõe; que dá pra pôr um pouquinho de cor nos dias que doem e aproveitar os suspiros mais fundos pra renovar de uma vez todo o ar dos pulmões; que é possível - e até saudável - futucar, remexer e ir bem fundo nos tantos porquês e pra quês, sem contudo jogar a toalha na outra parte, aquela que diverte. dá pra ser bastante feliz sem perder a dignidade. acredite.
10 de julho de 2012
e todo aquele gostar contido, sentimento enviezado e cheio de pudores em se firmar completo, serviu para que enfim eu chegasse aos dias de hoje convencida de que em se tratando de amor, economia é uma baita estupidez; pra entender em definitivo que o gostar se multiplica quanto mais a gente doa e se aprofunda na medida inversa de cautelas descabidas. sou partidária dos amores declarados.
3 de julho de 2012
certa vez, tentando destrinchar meus vazios, escrevi: "é sempre por medo que você evita ir mais a fundo nesse lugar onde talvez já tenha até chegado. e eu te entendo, sabe? porque, afinal de contas, existe sempre essa possibilidade aterrorizante à sua espreita, de estar fazendo tudo errado. mais uma vez. e você sabe que a única chance que tem de seguir adiante, talvez, seja mesmo descobrindo um jeito de não saber. pelo menos por enquanto."
àquele tempo eu não havia percebido que enquanto a gente não (se) entende, esse caminhar não nos leva à frente, mas faz-se em círculos. incessantemente. e pé ante pé a gente vai caindo nos mesmos buracos. fugindo dos mesmos fantasmas. desviando dos mesmos abismos. pegando os mesmos atalhos para chegar ao mesmíssimo ponto onde tudo começou. até que um dia a gente resolve tentar entender. e só assim novos caminhos enfim despontam do meio de tanta mesmice.
28 de junho de 2012
23 de junho de 2012
por muito tempo tudo que eu queria era um motivo pra pensar no que passou com mais ternura. mas as coisas insistiam em ser meio amargas, justo pra mim, que sempre tive tanto apego à doçura. e logo eu, que cresci fantasiando uma vida em tons pastéis e catando poesia que nem existia nas esquinas dos sentimentos difíceis, volta e meia ainda me flagro à sombra boba de alguns não acontecimentos.
21 de junho de 2012
12 de junho de 2012
11 de junho de 2012
ele desabafa, todo perdido:
- não encontro sequer um motivo pra ter dado errado...
ao que ela responde, toda encontrada:
- ora pois: quer maior prova de que tudo deu certo?!
ele sorri, ela sorri; e a vida solta uma gargalhada daquelas.
mais uma vez, os dois se entendem... como sempre (e como nunca mais).
- não encontro sequer um motivo pra ter dado errado...
ao que ela responde, toda encontrada:
- ora pois: quer maior prova de que tudo deu certo?!
ele sorri, ela sorri; e a vida solta uma gargalhada daquelas.
mais uma vez, os dois se entendem... como sempre (e como nunca mais).
9 de junho de 2012
não, não é somente perda. há mesmo uma espécie de ganho incalculável depois que a gente repassa tudo aquilo que doeu. surge uma certa compreensão bem bonita de que a vida de verdade é exatamente o que resta depois que assentamos a poeira das grandes ilusões. e como é gostoso perceber que o real também pode ser doce...
8 de junho de 2012
não é que eu tivesse medo de monstros; é que o grande monstro da minha infância foi o próprio medo em si. era esse o meu fantasma, o bicho papão que a qualquer momento poderia aparecer a me puxar os pés no meio de uma noite qualquer e contra o qual eu acreditava terminantemente não ser capaz de lutar. o medo entrou em minha vida muito cedo, por tabela, travestido de patologia e carregado de consequências devastadoras. e eu vivia assustada, com receio de que esse bicho viesse me bater à porta um dia qualquer para fazer o mesmo tipo de estrago que o vi fazer à vida da minha irmã. hoje percebo que absorvi muito o peso das dores de outro alguém e o quanto esse medo do medo condicionou quase todas as minhas escolhas até aqui. passei a vida pressupondo dificuldades que eu talvez nem tivesse, a tentar me proteger de batalhas que ainda nem eram minhas. perceber esse tipo de coisa ressignifica uma porção importante da minha história.
7 de junho de 2012
tenho conhecido uma porção de gente sem conhecer ninguém. isso cansa. é que eu gosto mesmo do que vem depois, quando a gente pactua em silêncio que se quer bem, que tem um tanto a dividir e está realmente disposto a conhecer os imprevistos de outro alguém. bom mesmo é quando a gente baixa a guarda, deixa que o outro passeie pelos nossos planos descabidos, mergulhe em nossos constrangimentos mais bobos e habite uma esquina estratégica em nossa existência. aí, sim, a coisa começa a ter alguma graça. mas é tão raro...
é estranho se dar conta de tanta coisa de uma só vez. faz a gente se sentir meio bobo, meio cínico, em meio a esse palco de camufla-esquece-esconde-distrai. me foram necessários sentimentos muito extremos para que enfim eu despertasse para as coisas mais elementares. só então me dei conta de que entre o que sou e o que penso ser existe uma distância enorme que ainda me escapa. provavelmente sempre me escapará.
4 de junho de 2012
o curioso é que eu não queria ele de volta. nem ele, nem outro alguém qualquer que pudesse ocupar aquele espaço enorme e sagrado que me sobrava, vazio, aqui por dentro. o que eu queria, bem lá no fundo, era desocupar de vez o peito inteiro e tirar tudo lá de dentro o quanto antes, para encontrar um novo canto que fizesse eco à minha própria voz.
3 de junho de 2012
30 de maio de 2012
algumas escolhas inconsistentes deixam exposta uma certa incoerência em minha vida. são batalhas que travo diariamente contra um lado meu que é, sem notar, algo que nem quer. fuçar os porquês disso tudo explica, mas não simplifica. esclarece, mas não abranda. aponta caminhos, mas não facilita a travessia. e entre esse ser condicionado por hábitos e ignorâncias e uma melhor versão de mim mesma, é que eu existo; ponte de mim para mim, através de mim. mas... e se um dia eu chego: é o fim? ou o começo?
sartre que me perdoe, mas concordo mais com os que dizem que o inferno somos nós.
28 de maio de 2012
23 de maio de 2012
20 de maio de 2012
15 de maio de 2012
10 de maio de 2012
tem dias em que a gente acorda com uma disposição atípica para domesticar os próprios dragões e se livrar dos pesos mortos que andam ocupando nossos lugares mais sagrados. e apesar de difíceis, trabalhosos e doloridos, de um jeito meio estranho esses até que são dias bem felizes.
"Sentimento que não espairo; pois eu mesmo nem acerto com o mote disso — o que queria e o que não queria, estória sem final. O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! Só assim de repente, na horinha em que se quer, de propósito — por coragem. Será? Era o que eu às vezes achava. Ao clarear do dia.”
(Guimarães Rosa, trecho de Grande Sertão: Veredas)
9 de maio de 2012
8 de maio de 2012
ela tinha medo. medo de que livrar-se dos sentimentos ruins pudesse deixá-la novamente exposta a um carinho sem guarida. foi por isso que mergulhou exageradamente nas mágoas que trazia no peito, a tentar sufocar de vez qualquer importância descabida que ainda insistisse em resistir a todo aquele tempo e distância. mas aquele revestimento de sensações truncadas não assentava-lhe bem. pesava-lhe a alma, corrompia memórias e povoava com pensamentos amargos aquilo que deveria ser sua porção mais doce.
foi quando a vida enfim pediu passagem, que ela entendeu a urgência em esvaziar aquele peito abarrotado de inutilidades e percebeu que os riscos já não eram mais os mesmos. nem ela. hoje anda por aí, ainda um pouco desorientada, tentando abrir novos caminhos e descobrir os passos para semear amanhãs mais leves.
3 de maio de 2012
desentocou um vinho bom, guardado há tempos para o belo dia em que. mas podia ser que o belo dia demorasse muito, não chegasse nunca ou fosse justo aquele. e assim, já sem paciência para esperas bobas e apostas vazias, decidiu que tinha muita sede e isso bastava. despiu-se dos cuidados inúteis e decretou: vai ser hoje. sempre é. mesmo que. e apesar de.
2 de maio de 2012
putz, enganei mais um. ou me enganei mais uma vez. ou nenhum dos dois. pode ser que no fundo tudo faça parte de um jogo meio cínico de fingir que convenço um alguém que finge que acredita. e no fim das contas não tem mesmo como dar muito errado, já que ninguém espera muita coisa e não fizemos nenhum tipo de promessa.
mas talvez tenha esquecido de te dizer umas coisas bem importantes: que quase nunca uso esses saltos, por exemplo. tampouco essas unhas vermelhas. que o que me fez voltar, na verdade, foi a sua esquisitice, mas ela me lembrou tanto um outro alguém, que precisei me afastar de novo. esqueci de dizer, afinal, que não estou disposta. definitivamente. é que doeu demais da última vez e eu ainda preciso remendar alguns cacos do meu ser quebrado, antes de me permitir arriscar outra vez. e outra. e quantas mais forem necessárias. um dia - mas não hoje. definitivamente.
mas talvez tenha esquecido de te dizer umas coisas bem importantes: que quase nunca uso esses saltos, por exemplo. tampouco essas unhas vermelhas. que o que me fez voltar, na verdade, foi a sua esquisitice, mas ela me lembrou tanto um outro alguém, que precisei me afastar de novo. esqueci de dizer, afinal, que não estou disposta. definitivamente. é que doeu demais da última vez e eu ainda preciso remendar alguns cacos do meu ser quebrado, antes de me permitir arriscar outra vez. e outra. e quantas mais forem necessárias. um dia - mas não hoje. definitivamente.
30 de abril de 2012
estranho me flagar quase cometendo um velho erro e achar bastante graça. ao final do dia a lição que fica é que, por mais que ainda esteja sujeita aos mesmos riscos, eu já não sou a mesma. e mesmo que algumas situações me soem familiares, os instrumentos que hoje carrego para lidar com elas são completamente outros. estou mais atenta, preparada e muito mais convicta do que não quero para mim. isso é bem saudável e me poupa uma energia enorme.
24 de abril de 2012
23 de abril de 2012
21 de abril de 2012
18 de abril de 2012
16 de abril de 2012
14 de abril de 2012
Então é isso?
Essa renúncia cheia de mágoas, disfarçada de grande decisão? Essa urgência por cavar bem à marra um novo caminho, já que todos os outros não parecem mais viáveis?
É isso mesmo? Essa tomada de consciência de que, à medida que os anos passam, ser feita de sonhos já não basta? Assumir derrotas atordoantes e ter que encontrar um resto de fôlego para se manter em pé? Essa ânsia por construir qualquer coisa palpável que vá além da esperança... e entender que algumas esperanças às vezes precisam, sim, ser colocadas à margem da vida?
Quer dizer que é assim? Essa angústia ao ver os pés cravados no chão e o céu sumindo, cada vez mais alto, cada vez mais longe? É dar o braço a torcer, abrindo mão de todas aquelas crenças às quais a gente talvez se mantivesse apegado por não saber como ser de outro jeito? É abrir mão dos próprios discursos por não conseguir mais convencer sequer a si mesmo?
É ceder aos poucos, sentindo a alma enrijecer lentamente? Engolir o choro, o orgulho, o nó na garganta e alguns sapos bem indigestos? É aprender a abafar o murmúrio doído dessa criança traída que mora dentro de mim? É desistir, quando os calos já estão tão magoados que insistir nem é mais opção? Então amadurecer é isso?
(revisitando sensações)
11 de abril de 2012
tenho revirado baús dos quais já nem me lembrava, na tentativa de compreender melhor como é possível me libertar desses velhos - falhos - hábitos de conceber a vida. ando tentando equacionar melhor os riscos de desejar uma vida com tão poucos riscos e percebi que, por mais que eu não queira apostar, já está tudo em jogo. há tempos.
9 de abril de 2012
minha alegria se alimenta de gente. para mim, felicidades chegam sempre bem acompanhadas, a povoar quaisquer vazios com bem querer e cumplicidade. até meu silêncio pede um espacinho qualquer na existência de outro alguém para ecoar com alguma beleza. as paisagens, nos caminhos que sigo, até me impressionam, mas são sempre pessoas que me tiram o fôlego e acariciam a alma. percebi que tenho uma fome enorme de convivência e é bem por aí que estar só vez ou outra me consome.
farol da barra . salvador . bahia (acervo pessoal)
3 de abril de 2012
29 de março de 2012
28 de março de 2012
27 de março de 2012
cara, você fez um rombo no meu peito.
e eu ainda tinha tanta coisa pra dizer, pra dividir, tanta vontade de aprender, de construir, de te fazer feliz. eu ainda tinha tanta coisa bonita aqui dentro, tantos planos, tantas intenções de felicidade, tanta crença em amanhãs a dois. eu ainda tinha brilho nos olhos, borboletas na barriga e aperto de saudade. ainda queria a sua rotina, o seu peso, o seu cansaço. eu continuava precisando tanto de você, da sua bondade, do seu estar comigo. eu queria tanto acelerar o passo, alcançar seu momento, fazer companhia à sua solidão. eu continuava querendo oferecer meu colo, aplacar seus medos e ensaiar contigo um existir em paz.
eu ainda tinha vontade, tinha fôlego e uma porção grande de paciência. só o que eu precisava para me convencer de que fazia todo sentido continuar tentando, era o seu amor. amor sólido. mesmo que fosse sóbrio (como você). mesmo que fosse confuso, cheio de percalços, defeitos e dificuldades (como você). que não fosse incondicional, que não fosse sem limites, mas que, por favor, fosse; inquestionavelmente, fosse.
no fim das contas, isso que faltou. entre todo (o tanto) que me foi dito, foram justo essas as palavras que lhe fugiram. em nosso último diálogo você relegou às entrelinhas toda a parte doce do que a gente tinha, me deixando apenas informações amargas para digerir sozinha. e foi assim que acabou, para mim. vazia do principal, carregada de todo o inútil e doloroso resto.
sentir falta: essa expressão curiosa, que a gente tanto usa, tinha tudo para não fazer muito sentido, mas no fim das contas traduz tão bem esse jeito que o coração tem de tornar palpáveis as ausências que nos habitam...
porque sentir falta é aparar no peito as despedidas inacabadas, tentando proteger velhos quereres desse fino frio do implacável tempo. é tentar fazer do que falta algo que nos reste. mesmo que já não baste. mesmo que o que reste seja muito pouco.
porque sentir falta é aparar no peito as despedidas inacabadas, tentando proteger velhos quereres desse fino frio do implacável tempo. é tentar fazer do que falta algo que nos reste. mesmo que já não baste. mesmo que o que reste seja muito pouco.
22 de março de 2012
21 de março de 2012
Ainda estou me acostumando a essa perspectiva da vida como algo irresolvível. É desconcertante aceitar que a ausência de sentido seja a hipótese que mais sentido faz. Não sei bem se isso liberta ou me limita.
"Dado que estamos perdidos, eis a nossa salvação. Quando estamos perdidos, significa que nada mais nos controla, nada mais nos detém, podemos finalmente inventar nossas vidas. Ser livre é terrível, pois ser livre nos deixa diante do nada. E o que vamos fazer com o nada?"
(Edgar Morin)
19 de março de 2012
estivesse ao meu alcance, por certo que pertenceria a um outro tempo. tempo em que fosse comum dar-se um tempo para existir entre um sentir e outro. tempo em que não fosse estranho querer dispor de tanto tempo para que as dores cicatrizem a seu tempo.
nessa espécie de descompasso, vou trilhando uma existência meio despertencida. é que à medida que o mundo caminha sem freios, a vida teima em me conduzir a falsas urgências que dizem muito pouco sobre mim. e é só para não paralisar, que eu sigo. mesmo descontextualizada. mesmo com essa vontade atropelada de conceber amanhãs sem pressa. mesmo com as emoções desaceleradas, implorando um jeito menos urgente de existir.
17 de março de 2012
14 de março de 2012
sim, pode ser que eu me ocupe em demasia de sentir.
talvez seja esse o meu maior excesso, grande entrave às questões práticas que se acumulam ao meu redor. a verdade é que essa inabilidade para os pragmatismos da vida anda me machucando aos montes. me faz falta essa praticidade bonita dos que transformam versos em atitude.
13 de março de 2012
vez ou outra ainda sinto um pouco de remorso por tanto bem querer desperdiçado e pelo triste esvaziamento de uma quantidade enorme de sentimentos bons.
em meu peito, um coração enternecido e cheio de intenções bonitas um dia insistiu em me convencer que tantas dificuldades talvez fossem inerentes à ideia de felicidade. ao menos em relação a isso, me alivia um pouco essa suspeita acanhada de que eu talvez estivesse, afinal, absolutamente enganada.
em meu peito, um coração enternecido e cheio de intenções bonitas um dia insistiu em me convencer que tantas dificuldades talvez fossem inerentes à ideia de felicidade. ao menos em relação a isso, me alivia um pouco essa suspeita acanhada de que eu talvez estivesse, afinal, absolutamente enganada.
5 de março de 2012
ele era bonito. olhos, boca, nariz... indiscutivelmente. mas no fim das contas, o que me comovia de verdade eram justamente as imperfeições. os pés estranhos, a coluna torta, a roupa descombinada e o jeito absolutamente desajeitado de existir. não que isso hoje faça diferença, mas amei. muito. talvez demais.
eu tive um primeiro grande amor cheio de inocências, que me deu asas para acreditar em coisas belas. sinto falta daquele tipo despropositado de carinho, pura delicadeza de quem ama. em dias como hoje sinto uma pontinha meio triste de saudades das falsas certezas que ele costumava despertar em mim.
era deliciosamente bobo...
29 de fevereiro de 2012
ele tinha uma espécie de tristeza que eu não alcançava e em relação à qual, por mais que tentasse, não conseguia oferecer refúgio algum. por muito tempo receei, quase desejosa, ser engolida para o centro daquele turbilhão de gravidades. é que toda aquela seriedade, na penúmbra de tempos tão incertos, até ganhava ares de grande importância.
incrível o quanto de mim mesma precisei desbravar para concluir que, sinceramente, nada daquilo é o que eu quero para mim. foi assim que percebi que em momentos turvos, distância é remédio bom para pôr pingos nos i´s. e só depois de dar essa volta enorme, revisitando os escombros de minhas principais frustrações e sucessos, me sinto absolutamente pronta para, finalmente, virar essa página em minha vida.
esse não-querer novo tem me deixado um tanto mais leve; há meses, isso era tudo o que eu queria. hoje, não passa de uma importante conquista entre muitos outros anseios.
27 de fevereiro de 2012
8 de fevereiro de 2012
quando cheguei lá, tão perto dele, percebi que ainda estávamos a léguas de distância. pretendia com aquilo, talvez, aprender a domar meus fantasmas - mas eles sequer apareceram pra mim. foi então que, surpreendentemente, vivi dias absolutamente meus numa terra que é dele. e voltei pra casa em completo silêncio, não sei ao certo se por coragem ou pura covardia.
6 de fevereiro de 2012
foto: acervo pessoal
minha bahia anda ao deus-dará...
e à parte discussões sobre a legitimidade da greve da polícia, ou sobre a postura do poder público em relação a tudo isso, o que realmente me assusta é ver assim, de forma tão nítida, a dimensão da crise moral e ética que vivemos em sociedade, absolutamente incapazes de um mínimo de organização e civilidade.
não é a fome, a miséria, ou a necessidade que tem movido as ondas de violência por todo o estado - é a falta de educação, o oportunismo e um completo esvaziamento de valores, típicos de nossos tristes tempos modernos.
triste...
"Haverá pior solidão do que a ausência de si?"
a peça acabou, fomos embora e essa frase continuou ecoando em meus vazios.
a peça acabou, fomos embora e essa frase continuou ecoando em meus vazios.
até concordei que não era nada assim tão novo aquele questionamento da moralidade e das vicissitudes tradicionais. mas é que quando posto de uma forma assim tão (literalmente) nua, a gente se constrange, como que flagrados numa estúpida batalha por sufocar nossa própria humanidade.
5 de fevereiro de 2012
"(...) Só no parapeito da morte o pai sente-se pronto para dar um lugar para o horror. Pela memória do único texto que precisa interpretar, o pai finalmente pode deixar de atuar. O pai então escreve o diário – e transforma o monstro que o come por dentro em palavra escrita. Mas, para que sua sobrevivência ao Holocausto tenha sido não uma morte, mas uma vida, ele precisa endereçar essa memória. Pois a carta que não chega ao seu destino para ser lida pelo outro não é uma carta, mas um esquecimento sem lembrança. "
hoje eu topei com essa resenha da colunista eliane brum sobre um belo documentário israelense. confesso que esse trecho mexeu um pouco com as minhas vontades, fazendo cócegas em toda essa certeza de afastamento com a qual me vesti desde que precisei parar de doer. admito que ando um pouco cansada de tantos diálogos imaginários e cartas desendereçadas. é que faz bem mais sentido quando a gente encontra um destinatário...
25 de janeiro de 2012
antes de ir embora ele me fez pensar algumas coisas bem pequenas acerca de mim. a partir de então corri a me trancar fora do mundo, dando especial desatenção àqueles que mais amava. era puro medo, sabe? medo de que essas outras pessoas importantes que me restavam, de repente, se dessem conta das minhas incompletudes e também desistissem de mim, bem no meio do caminho.
18 de janeiro de 2012
passa, eu sei. e sei também que é reconfortante quando a gente mantém a perspectiva de que apesar de tudo, passa. porque passa mesmo. mas para além do conforto, confesso que acho isso tudo bem chato. chato que depois de tanta dor nada tenha se resolvido e, mesmo assim, passe. chato que o fato da tristeza diminuir não me faça definitivamente feliz. chato perceber que muito amor não basta para que não passe. chato, mas chato mesmo, é quando no fim do dia eu tenho que lidar com essa hipótese angustiante de que nada talvez seja tão especial a ponto de não passar nunca.
17 de janeiro de 2012
16 de janeiro de 2012
12 de janeiro de 2012
acho que comecei a entender um pouco esse velho nó escondido cá no canto esquerdo da alma. hoje eu até senti como se ele desse uma leve afrouxada, sabe como é? assim, como se a tensão cedesse um tantinho - desses que não chegam a aliviar, mas permitem que a gente respire mais fundo e até perceba cheiros novos que agradam.
10 de janeiro de 2012
9 de janeiro de 2012
6 de janeiro de 2012
fotos: acervo pessoal
5 de janeiro de 2012
de repente ele aparece com aquela polidez em brasa, a pedir umas desculpas que eu nem sei se deve, e tudo aquilo me desperta uma vontade louca de que nossa história pudesse simplesmente desacontecer, num piscar de olhos, pra que eu nunca mais precisasse revisitar esse vazio que ainda me magoa tanto.
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