21 de outubro de 2015

há coisas que a gente guarda na intenção de nunca mais achar. uma carta, um cheiro, uma saudade, uma lembrança, um lamento, uma vontade. o disco antigo de luiz melodia, a velha colcha azul encardida e, claro, muitas (muitas) fotografias. tem tanta coisa escondida ali no fundo do fundo das minhas escolhas de vida, tantos retalhos de gente confinados nas curvas da minha memória seletiva. uma porção do meu ser que eu guardei assim: tão fundo, alheio, permissão só pra ir. vez ou outra o acaso, piadista, ergue pontes, cava túneis, cria atalhos, lança a corda, senta e ri. e fica ali, o quanto necessário, se divertindo a espiar se eu enforco ou resgato isso que há cá dentro de dentro de dentro de mim. mas há coisas que a gente realmente guarda na intenção de nunca mais achar.

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